EU SINTO SAUDADE !
Saudade de quando era criança ...
Das brincadeiras, do tempo livre.
Saudade dos amigos ...
Das festas, do tempo que já passou ...
Saudade da família ...
De casa, do tempo juntos ...
Saudade do colégio ...
De matar aula ...
Do tempo que dormia na sala ...
Saudade de um lugar ...
De uma paisagem, de um tempo bom que não volta mais.
Saudade de um abraço ...
De um beijo, do tempo que fez mudar tudo.
Saudade das noites em claro ...
Saudade de quem já não está mais aqui ...
Saudade de quem não é o mesmo, quando eu acreditava nas pessoas.
Saudade da adrenalina, de não nos preocuparmos com o futuro,
do tempo que poderia acabar a qualquer momento.
Saudade do que foi e do que ainda será ...
Saudade do amor que o tempo apagou ...
Saudade da chuva que caía batendo no telhado.
Enfim, eu sinto saudade !
sábado, 26 de fevereiro de 2011
0EU SINTO SAUDADE !
Postado por Anjo Cadaver às 18:04terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
0A Tristeza do meu Olhar
Postado por Anjo Cadaver às 18:17
É como uma súplica de carinho.
É como se as estrelas do firmamento de apagassem
É como a falta do cantar alegre de um feliz passarinho
É como se as ondas do mar, seu marulhar, emudecessem
A tristeza de um olhar, é como a flor esmagada, sem perfume
É como o amor que foi perdido, por causa de tanto ciúme
É o sol sem o brilho, sem encanto, e sem o seu eterno calor
É o mundo escuro e vazio, se fosse criado por Deus sem amor
A tristeza de um olhar, é com o se na vida não existissem amigo
É como se o Universo, fosse apenas a vida sem ter a mão de Deus
É como se faltasse aos seres humanos a caridade, e para criança o abrigo
É o mesmo que um jardim sem flor, é a falta, de eu ter os sorrisos teus
A tristeza de um olhar, é enfim a ausência tua, ao meu lado, o teu cantar
Tua paz, seus cabelos, tua luz, tua meiguice, tua poesia, teu calor, teu coração
É sentir a falta de teu carinho, de poder segurar sua mão, a falta de te amar....
Meus olhos quantos estas comigo, sorriem são felizes, e mostram a minha paixão...
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
0Quem devemos realmente se Importar
Postado por Anjo Cadaver às 18:220
Pensamentos
Postado por Anjo Cadaver às 17:58
Ao lançar-me do telhado, inspiro o mundo até ao silêncio. Corto o vento com os braços estendidos como uma ave. A vida desliza pela minha roupa. Com o coração embriagado pela queda revejo tudo e todos na minha mente. Penso, penso muito. Penso como se tivesse todo o tempo do mundo para pensar. Como se esta queda fosse eterna. Quase poderia jurar que o mundo gira à minha volta. E no entanto o arrependimento espelha-se na minha face à medida que me aproximo do alcatrão... mas já não existe maneira de voltar atrás.
0
A vontade de fugir
Postado por Anjo Cadaver às 17:43
O meu desejo é fugir. Fugir ao que conheço, fugir ao que é meu, fugir ao que amo. Desejo partir- não para as Índias impossíveis, ou para as grandes ilhas ao Sul de tudo, mas para o lugar qualquer- aldeia ou ermo-que tenha em si o não ser este lugar. Quero não ver mais estes rostos, estes hábitos e estes dias. Quero repousar, alheio do meu fingimento orgânico. Quero sentir o sono chegar como vida, e não como repouso. Uma cabana à beira mar, uma caverna, até, no socalco rugoso de uma serra, me pode dar isto. Infelizmente só a minha vontade não pode dar.
Fernando Pessoa
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Postado por Anjo Cadaver às 16:18
Um suspiro
Queria que alguém...uma certa pessoa entendesse o que digo, o grande lamento que fiz em um único suspiro...um suspiro que gritou sussurrante.."não...não posso fazer o que você quer...eu sou apenas eu...não sou o fulano que trabalha e estuda...não posso ser uma "dona de casa perfeita"...não sou um estudante compulsivo que passa 9 horas enfiado em um livro...não sou meu primo que liga o computador e deixa tocando musica enquanto vai fazer as coisas dele...não sou alguem que com 12 anos ja tinha profissão...não sou alguem que é algum tipo de heroi...não sou alguem que é uma perfeição...não sou alguem que possa resolver todos os seus problemas...não sou alguem que tenha experiencia em relações interpessoais, muito menos alguém que seja profissional em dar conselhos amorosos ou não...não sou alguem digno de reclamar por nao ter sido compreendido do jeito que queria...não tenho o direito de pedir isso...não sou alguem que possa sobrecarregar alguém com meus problemas quando alguém ja tem os seus problemas..não sou uma pessoa que entenda por que eles ficam mais leves quando dividimos e vice versa, mas na soma fica tudo na mesma quantidade..você carrega um pedaço dos seus, e um pedaço dos outros. Não sou alguem que tenha dezenas de pessoas com quem possa contar...muito menos alguem que conte as coisas apenas pras paredes...mas, dessa vez esse direito me foi privado...e tudo o que me restou a fazer foi suspirar"...um olhar pode dizer muitas coisas...um suspiro pode lamentar muitas coisas...pode rir em silencio de muitas coisas...não sou muitas dessas coisas...sou apenas eu...você é você. Isso é tudo. Apenas um suspiro, é a ultima coisa provavelmente que iremos ter, para dizer como palavras de despedida. Não entendo também o seu suspiro...infelizmente...apesar de você tocar nessa tecla como se ela fosse a única do piano da nsosa melodia.
Poster original
elaborado por Dija Darkdija
Postado por Anjo Cadaver às 16:00

"Pra você"
Meus sentimentos viram poemas em tuas escritas...
Minhas alegrias, minhas dores tudo você dita!
Por que me cala e me grita?
Por que me sente e não me toca?
Por que me segue e não cansa?
Por que não me olha mais me alcança?
Escreve-me em você
Faz de mim teu rascunho
Guarda-me
Soletra-me
Lê
Toma minhas palavras
Suga meu ar
Vira-me em suspiros
Deixe-me sonhar... me abrigar em teus braços
Sentir tua paz
Sem esconder o meu cansaço
Transforma-me em silêncio
Me faz repousar.
By Anjocadaver
and
By Alessandra Monteiro(^Sweet_Lilithh^)
0
"Frases perdidas em noites melancólicas"
Postado por Anjo Cadaver às 15:52“Quero fazer um poema de dor...sangrando
Quero me livrar disso tudo que se chama amor!
Meu coração dói por entre as escritas
Minha alma chora por cada palavra não dita...
Sacramentada está...
Nas horas tristes de um relógio que não vai marcar
Minhas feridas e angustias
Meus sonhos, desejos... renuncias
Minhas lagrimas escondidas...(perdidas)
Meu silêncio pra não te acordar.
Vaguei por noites solitárias... no frio que sozinho eu sobrevivi...
Só eu vi,
e ninguém nunca vai saber o que eu senti.
Por isso me perco em
Frases perdidas em noites melancólicas...que se refletem o que levo dentro de mim.”
by Alessandra Monteiro(Sweet_Lilithh)
19/02/2011
Todos os direitos reservados.
.
.
.
Postado por Anjo Cadaver às 15:49
Toma seu espírito em melancolia,
Ébrio em seu sentimento.
Seria apenas mais um momento,
Uma mera noite de agonia;
Mas hoje há um incremento:
O espírito tem companhia
Perdoe-me falar das flores,
Que seu perfume exalta a vida,
Se meu coração duvida
Que do mundo elas são as cores.
Faz-me pior a cada dia
Uma vida de rancores
Por que pior queres ser?
Se só é plausível aos bons
Ascenderssem ao tom
De apreciar o belo do viver?
É essencialmente um dom
A beleza da vida. Crê?
Quem sabe um dia te dê a resposta
Quando encontrá-la pela vida que esquadrinho
Acredite, estás no caminho
O perfume das flores tu já notas
Foram palavras sem carinho
Frase que da mente brota
Como podes ser tão covarde?
O que recitas está dentro de você!
Mesmo assim insistes em dizer
Que isto em teu peito não arde.
Tens profundo medo em viver
Aquilo que tu´alma invade.
O personagem que interpreto
Faz que minhas palavras se contradigam,
Mas sei que também dramatizam
Todos que estão por perto.
És humano, e aos que se humanizam
O contradizer é sempre certo.
Com um personagem aceitas a cessão
Da tua real pessoa que aboliste.
Viver algo que não existe
Chama-se simples ilusão...
A beleza de ser humano consiste
Em conquistar sua real objetivação
Porém não há pessoa nesta terra
Pra quem eu não possa atuar
Basta um ser em teu mundo particular
Pra te fazer voar pelas eras!
No mundo, os amigos e o amar
Não passam de quimera.
Aposte em alguém de fato
E o que irei ganhar?
Podem juntos interpretar...
Montar uma companhia de teatro?
Continuemos a conversar
Deixemos à esquiva o ato.
A graça não está no presente, na vitória
Ou na beleza que se é alcançada;
Ela se encontra na estrada
No que se percorreu pela trajetória.
Alegre-se mais pela caminhada
Que pelo fim da história
Creio que isto é da felicidade, a definição.
A certas coisas definição não se pode dar
Ao defini-las, terminas por limitar
Aquilo que não possui delimitação.
Emocione-se, seja menos racional!
O ser humano é pura emoção
Triste é convencer a mente
A não entender aquilo que se anela
É impor limites a ela...
E mesmo sendo verdade, não consente.
Enquanto isso a dor flagela
Ela pensa, o coração sente.
Pense muito, pense sim!
Mas pense no infinito da felicidade.
Também sinta em quantidade
Porém sinta o amor sem fim.
Deus é a pura eternidade
E está nela, enfim.
Está em emoções sem barreiras
Em pensamentos sem limites
Na liberdade plena e ilimitada, acredite!
Sem cercas ou fronteiras
Que, em todos os aspectos, os seres dividem;
Sem definições faceiras.
Todavia, minh´alma continua em sesmo...
Maldita é a mente que até Deus quer entender!
É condenada ao cárcere do próprio ser
Em prisão perpétua, a esmo...
E a pior prisão que pode haver
É a do ser dentro de si mesmo.
0
A história de Elion thoff
Postado por Anjo Cadaver às 15:42Conta os sábios feiticeiros da vila de Erwin, que em uma noite fria, apavorante e amaldiçoada, nasce uma criança cujo seu nome fora mencionado Elion,
Vindo de uma família pobre, mais batalhadora, dono de um futuro promissor.
Adepto da magia, no qual os feiticeiros lhe ensinaram.
Seus meios de viver eram totalmente diferentes de todos os adolescentes da vila onde habitava suas expectativas era simples, porém convicta.
Vida de camponês sem muito sentido,
Elion logo com seu ensinamento não pretendia ficar em seu vilarejo, pois vivem seu sonho ali não o realizaria.
A o longo dos quatorzes anos de vida, tentou fugir de cada, para conhecer o mundo, mas em ao sair de Erwin, logo e deparou com um grande grupo de aventureiros e do atacado ou criaturas diversas, todos os componentes do grupo estavam muito ferido, quando então Elion ajudou, levando-os para o vilarejo de Erwin, para que fossem tratados de seus ferimentos.
Em Erwin os moradores deram toda a assistência que sabiam da para cuida dos aventureiros, pois apesar de ser uma muito pobre de era auxílio para que os aventureiro ficassem melhor de seus ferimentos
Diante do feito que o jovem Elion, apresentou ao grupo de viajante.
Quando toda a comitiva e estava melhor de saúde e que podiam continuar sua jornada, o líder do grupo chegou até o jovem que Elion o presenteou com um grimoire de magia criada pelo próprio, pois sabia que o jovem também era um feiticeiro.
Elion, então não quis sair de seu vilarejo e ali ficou a estudar e aperfeiçoar seus talentosos feitiços.
Porém o conhecimento adquirido não foi o suficiente para deixa-lo em seu vilarejo, vivendo aqui o fruto desse o treinamento que durou o dia e noite foi tomado pela sede de conhecimento e decaindo um mar de indecisões, com tamanha responsabilidade um jovem logo criou um caráter de um adulto, e se mostrou ciente daquilo que queria para si mesmo, seus sonhos eram se forte astutos, e poderosos de mais a sua ânsia de poder e o levou para um destino totalmente diferente daquele que havia sonhado.
Vagando novamente para fora do vilarejo, Elion mais uma vez se despediu de sua mãe e sua ilha, pois era a única família que ele possuía.
Elion sempre sonhava em da algo melhor para sua família em então vagou pelo mundo em busca de riqueza e poder.
Sua viagem em que não o levou para grande cidadela WALKA,
Ao chegar à cidadela e se dirigindo para uma taverna para poder passar a noite logo veio uma oportunidade de aventura, lendo o anúncio logo procurou o seu destino junto com a nova comitiva e aliados cujo nome era.
P. Parker – conhecido como o ladino.
Lantes – um elfo mediano conhecedor da metamorfose.
Durin – um grande lorde anão.
Juntos seguiram para sua primeira empreitada como um aventureiro, sua missão foi invadir Fort para roubar um papiro,
O caminho foi árduo, frio e causticante seu porte físico não o ajudava pois o árduo caminho que levaria ate seu destino,
Ao decorre da viagem encontramos um homem de vestimentas estranha e de um chapéu pontudo, que se apresentou como Kallen, o qual foi logo aceito e de um pouco de e da alemã é que me encontrar no meio do nada.
A o encontrar o belo forte protegido pela grandeza de um vale congelado, o frio era mortal, Kallen usou um feitiço para tornar todo seguro do frio, agora o frio não mais nos afligia.
Ao chegar a frente a o grande Fort só havia restos mortais item de suas vestimentas e suas armas.
Adentramos então no convés onde no centro do grande salão a havia uma grande pira de fogo azul. Que esquentava A sala o todo o complexo que ali encontrava.
Olhando para o fogo notava que lentamente ele dançava conforme entravamos. Quando chegamos perto da grande pilha de fogo venho que o papiro e estava embrulhada no centro da pira, foi quando o elfo colocou a mão bem das chamas e puxou o papiro para fora, ao tirar o papiro e dentro do fogo toda a sala brilhou no tom avermelhado e das paredes surgiram guerreiros armada com espada e logo nos cercando, foi então que surgiu o grande confronto contra os guerreiros, o anão logo partiu para o duelo com seu machado em mãos desferiu Golpes letais contra os inimigos, na batalha todos participaram, mas o anão foi quem ganhou realmente o mérito. De toda a batalha, a sala se transformou num palco de pura violência onde os mais fortes sobreviveriam, mais com a experiência do grande Anão e do Ladino, logo conseguimos sobrepujar os inimigos, já nós final de sua. Cada guerreiro que caia outro se levantava, Elion então nervoso invocou uma de suas esferas que tinha ganhado ao sair do seu vilarejo.
Convocando assim um grande Elemental do fogo, no qual ajudou a todos no grande confronto.
Depois do duelo o Elemental se o despedi e se se desvairou em cinzas.
Com o pergaminho em mãos, voltamos para a cidadela de walka, para entregar ao feiticeiro que havia nos contratados.
Assim então, permanecemos dias juntos como grupo formado.
Habitando a taverna esperando que algum mensageiro viesse a postar outra ocorrência de aventura, foi quando então o ladino recebeu uma carta, mandado pelo um lorde, que estava promovendo uma festa e queria que seu grupo fosse apresentado para tal celebração, logo então animado o Parker, convidou todos a irem, porem o Anão logo discordou de ir, vagamos então em busca de vestimentas apropriada e de companhia para tão celebração. Pois tendo em vista no convite foi avisado que só estariam pessoas de cargos importantes com influencia e dinheiro sobre todo o reinado.
Logo nos postamos como membro maior conhecedor de muitos lugares, famosos então pela forte influencia do P. Parker.
Chegando ao lugar marcado da cerimonia, logos fomos recebidos com muita honra e respeito, onde nos faziam se sentir honrados por fazer parte daquela sociedade,
Logo caímos na diversão, bebendo e dançando, e esquecendo-se do mundo que avia ali fora.
Depois da diversão todos os convidados foram levados para um aposento digno, de seu caráter para se recuperar da farra e das bebedeiras da noite.
Ao chegar ao quarto Elion, e P. Parker não dormiu, ficaram a conversar ao longo da noite, foi quando então escutaram gritos aterrorizantes vindo dos corredores,
Sem armas e sem armaduras foram observar cautelosamente o quer ocorrerá naquele lugar, vendo então que havia varias criaturas diferentes atacando todos os convidados,
Logo corremos para o quarto onde nos preparamos para um duelo, junto como aqueles que ainda estavam vivos,
Ficamos esperando então o ataque das criaturas em nossos aposentos, foi quando então surgiu o dono do lugar.
Dalv, assim era chamado, demostrando insatisfação pelos que sobreviveram, fez com quer toda a comitiva se separasse por meio místico.
Ao aparecer Elion, estava em um corredor junto de varias entidades inferior menor, logo usou um de seus feitiços para criar uma adaga, para poder se defender das criaturas, foi quando apareceu uma jovem mulher, linda era sua beleza encantadora sua face, seu corpo feminino, deixava qualquer homem a mercê de seus mandatos,
Porem o medo fez com que Elion se esquecesse das necessidades de homem, quando então, a jovem mulher demostrou sua real face, uma súcubos, Elion pálido com a situação chamou a jovem e perguntou se nome, ela o respondeu, Muriel, e indagou dizendo, porque queres saber meu nome se aqui vai ser o único lugar que tu iras habitar.
Elion não se intimidou e com um sotaque firme e convicto perguntou-a o pôquer que ela fazia isso, que motivos ela teria para matar um homem sem intenções de lutar, incapaz de feri-la,
A jovem não se deixou levar pelas palavras de Elion e logo voou em sua direção lhe desferindo um golpe com suas garras, mais Elion logo se esquivou, ainda falando com a jovem Elion disse: não há motivos para brigamos, podemos nos entender melhor sem precisar derramar sangue.
a criatura não deu ouvidos e ainda continuava a atacar, e Elion a jogar suas palavras no ar, “ veja o que as criaturas estão fazendo, estão matando todos desse lugar, se continuar assim não vai mais haver nada aqui, e quem sabe depois da sede de sangue delas, elas possam querer atacar você.
A jovem súcubos logo deu ouvidos as palavras de jovem feiticeiro, porem não demostrou interesse e o indagou dizendo que ela era mais forte que todas as outras criaturas que ali estavam, Elion então mais uma vez falou, se es tão forte assim porquê lutas com alguém tão fraco e ainda obedece alguém que te manda e te obriga a ficar em um beco sem poder conhecer o mundo ... Então a jovem súcubos titubeou com as palavras e por estantes parou de atacar, perguntando-lhe por quer falas assim,
Se tu não conheces minha raça, quem pensas que é para profanar tais palavras sobre o meu senhor, Elion logo indagou- a respondendo-a, sou Elion Thoff, se esse homem é teu senhor sinto dizer que ele não gosta de te e não esta nem ai pra sua existência não importando se viva ou se morra, e ainda sim lutas por ele; a criatura furiosa abre suas asas e voa em direção ao jovem feiticeiro no qual surpreendido pela velocidade da criatura e seguro e levado para o teto da caverna onde enfeitado esta com grandes estalagmites, o jovem logo usa um feitiço para voar e tentar se soltar da garras da jovem criatura, a criatura forçando o feiticeiro para as estalagmites e o feiticeiro lutando conta a força do voo da criatura, e jogando palavras para a jovem, sei que dentro de ti habita uma doce e meiga mulher capaz de viver em harmonia, se assim permitir cuidarei de te, e ate onde o mundo me levar te levarei sempre comigo, com as palavras do jovem feiticeiro a súcubos se perde em pensamentos e por um estante esquece de seu voo, mais Elion diz por um segundo. “não deixe de acreditar em mim, pois cuidarei de te a partir de agora”, e o feiticeiro joga a jovem súcubo nas estalagmites do teto, onde é ferida mortalmente.
Os jovens súcubos é levada ao chão com um ferimento mortal em seu peito, Elion não se segura e tenta ajuda-la, mais ela diz, feixe o portal e abra sua passagem e me deixe aqui.
Elion então não admite que ela fique ali, erguendo-a em seus braços abre a porta para saída da caverna,
Ao sair encontra lorde Dalv sentado em um trono onde surpreso olhava para a sena que acabaria de ver,
Elion chorando pediu-lhe que cuidasse da criatura, Dalv então pede para que uns de seus servos levem a para uma sala de tratamento e que o jovem também fosse com ela.
Na sala de tratamento, Elion recupera de todos os seus ferimentos e também ver sua amiga súcuba sendo tratada,
Já recuperado das enfermidades do corpo, Elion é chamado para conversar com o Dalv, onde descobre que seus amigos foram todos mortos pelas criaturas,
Dalv então lhe fez uma proposta, dizendo-lhe que se Elion emprestasse sua força, traria novamente os seus amigos a vida,
Elion não contentou e logo aceitou a proposta.
0
A HISTÓRIA DA ELFA FUGIDA
Postado por Anjo Cadaver às 15:37Capítulo I
O motivo da fuga de casa
Meu nome é Micra Elendyr, sou uma elfa e nasci na Ilha Mística de Balah. Pertenço a uma família nobre e sou filha única, com isso, superprotegida, era o que eu pensava.
Minha vida sempre foi tediosa, tendo que cumprir rigidamente algumas obrigações do tipo: se portar de acordo com a família a qual pertenço, sorrir quando outro nobre se dirigir a mim, participar de todos os eventos da nobreza e o pior, casar com aquele que o meu pai escolher. Tudo isso difere do sonho que eu tenho, um sonho que está próximo de se concretizar.
Pretendo fugir desta casa onde me sinto uma prisioneira, serei dona da minha própria vida e tomarei minhas próprias decisões. Cansei de ser objeto de lucro do meu pai, que me ver apenas como um meio de multiplicar sua riqueza. Desejo viajar pelo continente, conhecer as vilas élficas e as grandes cidades, as quais muito me maravilharam enquanto lia nos livros. Gostaria também de participar das grandes batalhas, ser lembrada como uma heroína, por isso que há muito tempo venho treinando sozinha e escondida. O treino não rendeu muitos frutos, mas já consigo me defender, quanto a magia nunca foi o meu forte, mas o meu pai é mago e me obrigou a praticar, por isso acabei aprendendo alguns truques que se mostraram eficazes.
Podem até acharem insensatez abandonar o conforto de Balah pelo incerto no continente, mas não suporto ser tratada como uma boneca de cristal, quero viver livremente e se tiver que morrer, que seja em um campo de batalha rodeada de corpos inimigos a defender os meus futuros amigos.
Amigos? Pretendo ter muitos, crescer cercada de criados me fizeram perder o valor de se ter um amigo. Em toda minha existência, o que equivale a mais de cem anos, tive apenas um amigo, um humano que morreu há muito tempo. Fugir era nosso sonho.
O dia da minha liberdade está próximo, será também o dia em que serei comum. Algumas provisões devem ser feitas, mas para não levantar suspeitas só poderei fazer isso quando fugir, terei um dia e meio até meus pais descobrirem que fugi, pensarão que estou indisposta, como aconteceu diversas vezes devido ao meu treinamento escondido, assim não me perturbarão durante todo o dia e talvez mais dois até perceberem que não estou na ilha. Tenho que fugi no mesmo dia para ganhar algum tempo de me estabelecer no continente, o maior problema será caminhar por Balah, nunca fiz isso sozinha e muito menos a pé.
Capítulo II
A fuga
Com o pretexto de ser gentil com uma de minhas criadas eu lhe dei um dos meus vestidos e a fiz usar no mesmo instante. Sua felicidade foi tamanha que ela esqueceu a própria roupa no meu quarto, e esta era a minha intenção.
À noite, quando tive certeza que todos haviam se recolhido eu troquei de roupa, peguei uma boa quantia em dinheiro, tranquei a porta do quarto e sai. Quando estava quase fora da propriedade do meu pai um dos vigias me avistou e no desespero eu lancei uma magia nele, não lembro o que foi, mas surtiu efeito e ele estancou tão logo a magia o atingiu.
Depois do pequeno incidente, eu me dirigi para o porto, não sabia onde ficava, mas qualquer direção que eu tomasse chegaria à praia e depois era só contornar até o porto.
Não sei qual dos deuses estava ao meu favor, sei apenas que segui a direção certa e encontrei o porto bem rápido. Chegando lá tive que procurar um navio que me levasse sem fazer perguntas. Sabia que existiam navios que traficavam mercadorias e por um bom dinheiro eles me levariam sem nem precisar olhar para mim. Não foi difícil encontrar um, tive apenas que pagar um bom valor para dois informantes.
Quando o dia amanheceu eu procurei uma loja de roupas e preparei minhas provisões, depois segui para uma taverna que ficasse longe da área que eu morava. Minha transformação não foi uma perfeição de disfarce, mas era uma nova vida que eu estava construindo e algumas mudanças se faziam necessárias. Pintei o meu cabelo de azul e os cortei, coloquei roupas de aventureiros e meu novo nome é Sophie.
...
O navio partiu três horas após o anoitecer e eu estava nele, quase sem acreditar em quanta sorte eu tive até aquele momento. Antes de zarpar eu enviei uma carta para os meus pais dizendo o que fiz, usei um pouco mais de dinheiro para que a carta passasse por várias mãos, isso os despistarão por um tempo.
Tivemos uma viagem tranquila, ninguém me incomodou e mantive contato apenas com o capitão. Passava a maior parte do tempo olhando as ondas indo e vindo e isso me trouxe lembranças felizes e amargas.
Capítulo III
Lembranças de um amor perdido
As lembranças são tão vividas que quase posso sentir a mesma dor, o mesmo desespero, quase como se os anos não tivessem passado, quando na verdade tudo aconteceu há cinquenta anos, o que para um elfo parecem dias.
Tudo começou quando meu pai me obrigou a frequentar a escola de magos, eu era péssima com magia e era sempre a última a entender a prática, foi ai que eu o conheci, um garoto humano tentando se exibir para o professor. Seu nome era Aram, um excepcional aprendiz de mago.
Eu, pela incapacidade de aprendizagem rápida, acabei virando alvo da turma, mas isso não havia me incomodado, pois atraíra a atenção de Aram também. Em pouco tempo nos tornamos amigos e ele muito me ajudou, o pouco que sei sobre magia hoje é por causa dele, porque por muito tempo tentei impressiona-lo.
Aos poucos a amizade tornou-se paixão e posteriormente em amor. Aram era meu único amigo e meu primeiro amor, alguém em quem confiei e confidenciei meus temores e segredos, assim como os meus sonhos. Ele disse que ficaria feliz em ajudar a concretizar meus objetivos, que me seguiria a qualquer lugar que eu desejasse ir. Por muitas noites sai na calada da noite para me encontrar com Aram e juntos íamos a praia, nosso santuário de amor. Foi lá onde nos entregamos a um amor proibido e impossível, foi lá que fizemos juramentos, um deles foi que fugiríamos juntos para o continente, até então eu nunca havia pensado em fugir. Mas o tempo não estava a nosso favor, em breve Aram se tornaria um homem e eu continuaria sendo uma garota, por isso ele se dedicou a estudar alquimia, na esperança de descobrir uma porção que lhe concedesse a imortalidade dos elfos e assim pudéssemos continuar juntos para sempre.
O tempo foi passando e durante três anos maravilhosos nos divertíamos na praia, enquanto eu treinava, e fazíamos planos. Aram sempre dizia que estava perto de descobrir a porção da imortalidade, mas eu sabia que ele dizia aquilo apenas para não frustrar meus sonhos.
Não sei como, mas meu pai descobriu sobre os nossos encontros secretos e rapidamente fomos separados. As poucas vezes em que nos vimos novamente foram em bailes, nos quais havia rápidas trocas de olhares e nada mais.
Dias depois, enquanto caminhava pelos corredores da nossa mansão, pude ouvir meu pai conversando com o pai de Aram. A porta do escritório estava entreaberta e as vozes chegavam até mim claras como água. Meu pai dizia:
− Eu entendo perfeitamente o que o senhor quer dizer, também acho uma tristeza eles pertencerem a raças tão diferentes, para mim seria uma honra unir nossas famílias, mas em pouco tempo seu filho será um homem e Micra continuará uma garota, o amor dos dois é impossível e o melhor a se fazer é separa-los de uma vez por todas, é melhor assim.
− É por isso que decidi que devo casar meu filho o mais depressa possível para que ele pare de ficar sonhando pelos cantos, também ficaria feliz em ver nossos filhos unidos, mas já que é impossível o jeito é separa-los de vez mesmo e nada melhor que um casamento para isso. Foi por isso que vim até aqui para convida-los para a festa de noivado.
− É claro que iremos.
Sabia que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria, mas ainda assim meu coração ficou em pedaços.
O pai de Aram foi-se sem perceber que eu estava por perto, e assim novamente ouvi meu pai falando, desta vez falava sozinho. Ele dizia:
− O que este insignificante estava pensando? Que eu realmente aceitaria que aquele pivete se casasse com minha filha? Nem que ele fosse um único pretendente em Balah. Acha mesmo que é rico o suficiente para unir-se a minha família, nem em mil anos eles seriam dignos. Só espero que ele não comente com os outros o que aconteceu entre aqueles dois, isso provavelmente diminuiria meu prestígio em toda a ilha. Tudo por causa daquela garota estupida, por que não nasceu um elfo, eu tinha tantos planos, seria um lindo garoto que só me daria orgulho, mas ao invés disso veio uma menina e que parece não enxergar as oportunidades que passam bem embaixo do próprio nariz. Eu devo estar pagando pela traição aquela maldita vila de Redbow, só pode ser isso. Esta menina só me traz despesas e vergonha, preciso fazer algo antes que ela cometa outra estupidez.
Alguns anos depois eu viria a descobrir o que Lucius quis dizer com traição a Redbow, naquele momento só me importava com um único fato. Aram iria se casar. Mesmo sabendo que sua vida não se estenderia como a minha eu ainda sentia-me feliz e segura em saber que ele estava ali por perto sempre acreditando em mim. Mas agora tudo iria ruir como um castelo de areia em uma praia.
Achei que aquele baile de noivado havia sido o pior dia da minha existência, nem mesmo todas as humilhações do meu pai ou seus castigos me causaram tanta dor, mas a verdade é que em pouco tempo eu descobriria que existia um sofrimento que supera qualquer outro sentimento, algo que marcaria minha alma e me faria sofrer por toda a eternidade ou até eu morrer, já que sou eterna e não imortal o que não impede que eu morra.
Não sei como Aram estava naquela noite, tentei não encontra-lo, não é porque eu estava infeliz que iria causar infelicidade aos outros. Lira, a noiva de Aram, estava radiante de felicidade, parece que ela sempre foi apaixonada por ele.
Consegui sobreviver a este baile e outros que vieram, e tive a proeza de enganar meu pai e fingir que estava doente no dia do casamento, do qual ele fez menção de comentar cada mínimo detalhe. Meu pai sabia que eu sofria com isso, mas ele sorria e dizia:
− Vamos ver se com isso você aprende a si por em seu lugar. O que irão pensar os meus amigos se descobrirem que minha filha se apaixonou por um reles humano e pior, de nível inferior ao nosso? Se você ousar se encontrar com este pivete novamente eu acabo com a família dele, entendeu? Faço com que eles sejam expulsos da ilha sem uma moeda de ouro sequer, entendeu Micra? Sabe que tenho poder suficiente para isso e não pensaria duas vezes até fazer. Aproveite cada segundo deste sofrimento, talvez isto lhe sirva de lição.
Não sabia se ele tinha mesmo capacidade para destruir a família de Aram, mas não quis arriscar. Hoje eu tenho certeza que ele teria esse poder, principalmente depois de descobrir como ele chegou até Balah, mas essa é outra história.
Dois anos se passaram após o casamento e neste período encontrei Aram pela última vez. Desta vez o baile havia sido em nossa mansão, meu pai tentava se exibir perante todos por ter conseguido uma pequena fortuna em um novo investimento. A mim foi imposta uma obrigação, agradar o filho do sócio do meu pai, um meio-elfo egocêntrico e mimado. A família de Aram estaria presente e novamente fui ameaçada, não me restando opções, a não ser ceder às exigências do meu pai.
Para fugir dos olhares de Aram, levei o meio-elfo para passear pelo jardim, este foi o meu erro. Quando estávamos fora da vista dos convidados ele tentou me agarrar à força, mas uma voz firme o fez recuar.
− Tenho certeza que Lucius Elendyr não ficaria nem um pouco satisfeito com a forma que sua filha está sendo tratada, sem mencionar os problemas que seu pai enfrentaria meu caro jovem.
− O que é isso Aram? Eu e a milady estávamos apenas conversando, não fiz nada que ela não permitisse.
− Isso é verdade milady? Perguntou-me Aram.
Eu me empertiguei e respondi rispidamente. Primeiro ao meio-elfo.
− Devo lembra-lo que nem mesmo sua atual posição lhe dar o direito de me faltar com respeito, por isso sugiro que se ponha em seu devido lugar ou o acusarei perante a guarda da ilha, e isso não seria nada agradável para o seu pai.
Respirei fundo e continuei:
− Quanto ao senhor, deveria estar acompanhando sua esposa ao invés de estar vagando por uma propriedade particular.
− Perdão milady, mas sou um convidado e posso andar por onde eu quiser.
− Faça como quiser, só não me importunem mais. Vão agora os dois.
Eles foram cada um para um lado. Fiquei o suficiente até o meio-elfo adentrar novamente a mansão, foi quando me recompus e seguia em direção as luzes do baile, mas algo me agarrou e quando eu ia gritar senti uma mão em minha boca. Um leve aroma amadeirado, misturado com produtos alquímicos pairava pelo ar e eu sabia exatamente a quem pertencia aquele cheiro.
− Aram? O que está fazendo aqui?
−Desculpe, não pude resistir. Era uma oportunidade perfeita para encontra-la sozinha.
− Se nos descobrem...
− Shhhh... Ninguém vai descobrir.
Era a primeira vez que o via tão de perto depois que nos separaram, seu olhar ainda era jovial e seu sorriso travesso, mas pude notar o cansaço em seu semblante. Ao invés de dois anos, parecia que havia se passado uma década. Sua mão, antes macia e agora áspera, acariciava meu rosto. Sua boca estava tão perto da minha que ambos nos deixamos levar pelos sentimentos de cinco anos atrás. Seu beijo ainda era tão doce quanto na primeira vez que seus lábios me tocaram, seus sussurros renovavam meu animo e eu sentia que naquele momento, nada era tão longe que não pudesse ser alcançado, nada era tão impossível que não pudesse ser realizado.
− Eu estou tão perto – ele disse.
− O quê?
− A imortalidade.
Eu sorri e o beijei novamente, depois me afastei e disse:
− Isto é ótimo, estarei esperando por você.
Então partir.
Quatro meses depois, em uma manhã escura de tempestade, meu pai adentrou meu quarto, parecendo bastante contente.
− Trago-lhe uma ótima noticia. Sabe aquele garoto de quem você se interessou?
− O que tem Aram?
− Ele simplesmente explodiu. Parece que uma de suas experiências no laboratório deu errada e ocasionou uma explosão.
Eu estava em choque. Até aquele momento eu temia meu pai, depois da forma como ele falou da morte de Aram eu passei a odiá-lo mais do que tudo, e à medida que os anos foram passando esse ódio só cresceu.
Durante o velório me mantive em silêncio, tudo aquilo era muito triste, e a esposa de Aram parecia inconsolável. Mesmo depois de todos terem ido embora permaneci olhando a lápide recém-posta.
− Você gostava muito dele, não é Micra? – disse Lira, a esposa de Aram, que se aproximou sem que eu percebesse.
− Ele foi um bom amigo quando estudamos juntos.
− E também um grande amor, não é mesmo?
Eu fui pega de guarda baixa, não pude reagir àquela indagação, por isso permaneci calada.
− Eu sei o que vocês sentiam um pelo outro, Aram me contou tudo. Ele a amava e nunca desistiu do juramento que fizeram.
− Como você sabe de tudo isso?
− Antes de nos casarmos ele me disse que amava outra, mas que havia concordado com o casamento apenas para não prejudica-la, e estava sendo sincero comigo porque não queria me enganar. Eu o amava demais e apenas sua presença me seria reconfortante por isso me casei. Aram em nenhum momento me amou, nem ao menos me beijou, mas foi um ótimo amigo e me confidenciou todos os seus encontros secretos, inclusive que tentava desesperadamente descobrir um forma de ganhar a eternidade. Foi assim que ele morreu, por sua causa. Esta manhã, como em todas as outras, ele acordou bem cedo e foi para o laboratório, eu ouvia tudo, tinha obsessão por observar seus passos. Quando me encaminhava para o laboratório eu o ouvi gargalhando, parecia muito feliz, depois ele gritou: “Micra eu descobri, finalmente descobri” e ai houve uma explosão e quando cheguei ele estava morto, mas ainda sorrindo.
− Por minha causa, ele morreu por minha causa?
− Isso mesmo, ele poderia ainda estar vivo, se você ao menos tivesse pedido a ele para desistir. Mas agora já é tarde demais para isso. E não se preocupe, não direi nada sobre vocês dois, não seria bom para minha imagem que as pessoas saibam que eu nunca tive marido.
Saber dos fatos fez com que um abismo se abrisse sob meus pés, por dias me mantive trancada em meu quarto sem animo, desejando que a morte recaísse sobre minha vida miserável, mas era contra a vontade do meu pai que eu morresse.
Uma semana após a morte de Aram, durante a madrugada, uma luz ofuscava-me, antes de abrir os olhos senti um ar frio me rodear e depois um suave aroma amadeirado com uma leve mistura de alquimia. Ao meu lado estava Aram, em uma forma translúcida. Não consigo explicar por que, mas às vezes espíritos aparecem para mim.
Ele disse:
− Por que você está assim, definhando? Desistiu dos nossos sonhos?
As lágrimas foram inevitáveis.
− Como posso continuar sem você? Como superar a culpa? Se você partiu foi porque eu fui egoísta, porque não queria desistir de nós.
− Não faça da dor sua ruína, faça dela sua força. Meu espirito partiria em paz se soubesse que você não desistiu, que minha morte não foi em vão. Continue Micra, por mim, por nós, por tudo que ainda está por vim. Sei que um dia não passarei de uma mera lembrança, e neste dia você terá um amor ao seu lado, alguém que não seja limitado como eu, sei que terá amigos mais valorosos do que eu fui. Neste dia, minha alma estará sorrindo, feliz por você ter lutado apesar da perda. Eu posso não está presente, mas estarei para sempre ao seu lado, em forma de boas lembranças e sempre que cumprir um de seus objetivos, olhe para si mesma e me verá sorrindo.
À medida que falava ele sumia, e quando finalizou me beijou e desapareceu.
Capítulo IV
A traição a Redbow
Alguns anos se passaram e apesar da dor não amenizar, eu continuei seguindo meus sonhos, mas sem muita convicção. Certa madrugada, quando voltava de uns dos treinos, vi algo muito assombroso. Meu pai conversava aos sussurros com um drow. Eu não podia acreditar no que meus olhos viam, o que o meu pai estava fazendo com aquela criatura maldita? Não me contive de curiosidade e me aproximei sem ser vista.
− Já se esqueceu do acordo que tínhamos Lucius? – disse o drow.
− O acordo era eu lhes passar todas as informações de como invadir Redbow e em troca eu teria a vida poupada e alguns privilégios aqui em Balah.
− Não falo deste acordo, mas do de manter tudo em segredo.
− Não fizemos este acordo.
− Ah, não? Ótimo, então faremos isto agora. Preciso dos seus serviços e se não quiser ter seu segredinho revelado é melhor fazer o que estou pedindo.
− Tudo bem, tudo bem, farei. Quanto tempo levará?
− No máximo dois dias.
− Nos encontraremos no local combinado antes do amanhecer.
Esgueirei-me de volta ao meu quarto, e por dois dias não avistei meu pai. Minha mãe mencionou que ele tivera que fazer uma viagem a negócios.
Minha mãe se chama Mirian e ela nada sabe sobre as maldades do meu pai. Eu nunca contei nada devido a sua saúde frágil, jamais me perdoaria se algo de ruim lhe acontecesse. Ela é uma elfa de Valimar e é muito bondosa, sempre me falou sobre seu lar, de como sentia saudade dos amigos e da família, mas amava demais meu pai para deixa-lo um dia sequer. Contou-me como o conheceu, de quando ele chegou à vila, como se apaixonaram logo que se viram. A única coisa boa de Lucius é que ele realmente ama minha mãe acima de tudo, e não admite que nada a contrarie, e isto tem sido a minha salvação durante todo esse tempo. Sempre que meu pai tomava uma decisão sobre mim, ela me consultava antes de responder, se eu fosse contra ela dizia não a meu pai e ele respeitava a decisão dela. Lembro-me da primeira vez que meu pai falou em me casar, mamãe nem mesmo me perguntou, foi totalmente contra, disse que eu era muito jovem e que ainda não queria se separar de mim. Por anos meu pai não mencionou o assunto, até que um dia eu o ouvi conversando com ela.
− Minha querida, há um assunto delicado que queria discutir com você. – dizia ele naquela voz de soprano. – Sei que não lhe agrada falar sobre isso, mas acho que não se pode mais adiar.
− Quanto mistério Lucius, fale de uma vez.
− É sobre Micra, acho que já é hora dela se casar. Ela não é mais aquela garotinha que você carregava no colo, precisa deixar que tenha a própria família também.
− Talvez você tenha razão.
Era o fim, se minha mãe tinha concordado não havia escapatória. Neste momento bati na porta e entrei na biblioteca, onde eles estavam.
− Oh, minha linda filha, eu e seu pai falávamos sobre você.
− Conversei com sua mãe e ela concordou que já está na hora de se casar Micra. E então o que achou?
Desde que descobri sobre a traição a Redbow, tenho sido rebelde, sempre contrariando meu pai por pura raiva e desprezo que passei a ter por ele, jurei a mim mesma que um dia iria tentar reparar o mal que ele havia causado aos elfos. Sabia que seria impossível repor as vidas perdidas, mas eu teria de fazer algo, a minha vida por si só era um lembrete de quantos tiveram que morrer para eu nascer. Se Lucius não tivesse traído a vila, ele jamais teria ido a Valimar e no fim eu não estaria aqui, por isso sinto que é meu dever servir a Redbow de alguma forma. Este se tornou o fardo da minha existência.
Naquele momento eu podia sentir a alegria maldosa emanando dele, podia sentir o quanto ele estava satisfeito por finalmente me deter. Por me enjaular de vez e ainda se tornar mais rico com isso. Com o passar dos anos se tornou uma disputa entre mim e ele, para ver quem superava quem, para mim, tendo minha mãe ao meu lado era fácil, mas parecia que enfim eu havia perdido.
− Eu... eu acho que mamãe sabe o que é melhor para mim – foi o que consegui responder.
− Você não parece feliz, Micra – disse sarcasticamente Lucius.
− É claro que estou, é que fui pega de surpresa. Há tanto a se organizar.
− Não se preocupe Micra, nós não vamos casá-la amanhã, isso levará algum tempo.
Essa conversa aconteceu há uma semana e agora eu estou em um navio, rumando ao continente, meu pai deve estar uma fera comigo, mas eu faria qualquer coisa para ver a expressão dele quando descobriu que eu fugi. Só me preocupo com minha mãe, ela não merece isso, mas sua proteção já não era mais suficiente e acho que é melhor assim.
Capítulo V
Chegada à Redbow
Quando cheguei ao continente o capitão me disse que uma forma discreta de se viajar era acompanhando uma caravana. Eu agradeci e acrescentei mais algumas moedas de ouro em seu pagamento. Na caravana segui como guarda-costas, e foi uma viagem tranquila tendo como obstáculo apenas alguns animais selvagens que foram facilmente dispersos. Em poucos dias chegamos a Ratodragon e dai eu partiria para Redbow. Mas ainda não sabia que direção tomar.
Enquanto tentava encontrar um guarda, avistei uma estatua de um humano no centro da cidade, uma placa dizia que aquele era Peter Parker o herói de Ratodragon que havia salvado todos de um poderoso dragão vermelho. Não perdi tempo perambulando pelas ruas, me dirigi ao primeiro guarda que vi e perguntei em que direção ficava a vila élfica. Ele me mandou seguir algumas ruas adiantes e entrar à direita. Fui parar na parte mais pobre da cidade, um lugar triste e sem vida, em nenhuma parte dos livros li sobre esta pobreza. Ao chegar à favela me perdi, não sabia que direção seguir, mas três gentis senhores, não muito bem vestidos, mas bastante atenciosos, até demais, me explicaram como chegar a Redbow sem maiores problemas. Como forma de agradecimento dei a cada um deles uma peça de ouro, dinheiro era algo de que eles precisavam, não iria me fazer falta alguma. Quando me afastava, eles, impressionados com a minha generosidade, decidiram me assaltar da próxima vez que eu passasse por ali, porém houve um mais sensato que disse não ser inteligente mexer com os elfos, principalmente os armados, e eu estava com duas espadas.
Logo deixei aquela parte pobre da cidade e estava entre as árvores de Redbow. Não demorou muito um elfo me interceptou e pediu que me identificasse.
− Sou Sophie da ilha de Balah, estou aqui apenas para conhecer a floresta.
− Sua chegada será anunciada, mas deverá aguardar uma permissão para entrar.
− Claro.
Um elfo ficou comigo e outro foi em busca da minha permissão. Pouco tempo aguardando chegou outro elfo que não era de Redbow, eu, em meu entusiasmo e tentando ser simpática, o cumprimentei com demasiada familiaridade, e isso o pegou de guarda baixa.
− Olá, meu nome é Sophie, estou aqui para conhecer melhor a vila élfica.
Ele sorriu e disse:
− Olá, meu nome é Arkeron, sou de Kalindor e tenho as mesmas intenções que você.
E depois ele foi quem me pegou de surpresa, me perguntando:
− Você é sempre tão simpática assim?
O seu tom foi um tanto irônico, e isso me desagradou bastante. Respondi:
− Estou sendo educada, mas se prefere posso trata-lo de forma bem rude.
Ele riu.
− Não, claro que não, prefiro sua simpatia.
Tarde demais, apesar de ter gostado de Arkeron, ele havia me tirado do sério.
Um elfo já havia ido informar a chegada do meu recente conhecido e por isso em pouco tempo o primeiro elfo que havia falado comigo retornou trazendo boas e más notícias.
− Vocês têm permissão para adentrar a nossa floresta, mas devem aguardar até o fim do cortejo.
− Que cortejo? – eu perguntei.
− Nossa vila foi atacada recentemente e tivemos algumas perdas.
− Quem fez isso? – perguntou Arkeron.
− Uma feiticeira necromante junto de vários zumbis, um demônio e alguns drows. Peço que, por favor, aguardem aqui.
− Claro.
Ouvir aquela notícia me fez relembrar do meu pai e uma onda de fúria me invadiu, estava ainda mais convicta de que deveria devotar minha vida em prol desta vila.
Fui caminhar um pouco para clarear os pensamentos e Arkeron me seguiu.
− Porque está me seguindo?
− Eu não estou seguindo você, estou apenas caminhando.
Era óbvio que ele me seguia e aquilo estava me aborrecendo. De repente uma linda borboleta veio em minha direção e pousou no meu seio direito, eu a espantei e ela voou para o seio esquerdo, por mais que tentasse afasta-la ou tentar atrai-la para minha mão ela sempre voltava para os meus seios. Neste momento ouvi um riso as minhas costas, era Arkeron se divertindo com a cena. Então ele era um dominador de insetos, interessante. Mas o interesse durou pouco, por que eu perdi a paciência e gritei com ele.
− Se você não afasta-la de mim, vou machuca-la. – disse apontando para a borboleta.
Ele fingiu que não entendeu o motivo da minha agressividade, mas aos poucos a borboleta se foi. Cansada eu me recostei em uma árvore e comecei a cantarolar, Arkeron se esgueirou até mim e começou a me acompanhar com o bandolim, e até que ele não tocava mal. À medida que eu cantava e Arkeron me acompanhava, ambos nos empolgamos até um ponto em que estávamos em perfeita sincronia e para melhorar o espetáculo várias borboletas apareceram e ficaram me rodeando em uma dança enquanto a musica durou. Por fim recebemos permissão para adentrar Redbow, e assim o fizemos.
Acho que me darei muito bem com Arkeron, ele me parece bastante interessante. Mas uma coisa é certa, sempre que avistar uma borboleta próxima a mim, imediatamente irei procurar por ele. “O Elfo das Borboletas Dançantes”.
...
Entramos na vila e fiquei encantada com o que vi, as grandes árvores que servem de moradia, tão frondosas que nem mesmo a chuva poderia penetrar suas copas, as folhas, as flores, a terra, a grama, o cheiro, os elfos, tudo era magnifico, mas nada se compara a Grande Árvore Dourada. Tinha lido um pouco sobre ela, mas livros não eram fieis aquela visão, tudo era tão encantador que parecia um sonho. Palavras jamais seriam suficientes para descrever a beleza daquela vila. Arkeron parecia tão encantado quanto eu e me contou a historia da árvore dourada.
− É conhecido que esta árvore descendeu da última semente destas árvores sagradas e foi plantada aqui por um dos últimos eldares que caminhou por estas terras. Plantar a semente foi a última coisa que fez em vida e é sabido também que sua seiva possui imensos poderes curativos. Vim a Redbow principalmente por causa dela.
Percebi que havia uma pequena gruta onde caía a seiva prateada da árvore. Ficamos aí até que um elfo chamado Beleg nos levou até Circe. O flet dela é o maior de todos e fica bem próximo a árvore dourada, que está no centro. Bem no alto há uma pequena varanda cercada por um parapeito e bastante decorado com flores, lá também há algumas pixies.
Quando adentramos o flet percebi que algo estava sendo cozinhado, pois havia muita fumaça e um caldeirão no centro do recinto. Circe estava do outro lado da sala, e apesar de estar quase encoberta pela fumaça, ainda pude ver o quanto ela é linda.
− Então esses são nossos recém-chegados visitantes? Posso saber o que os trazem até Redbow?
Arkeron e eu a cumprimentamos da forma mais educada possível. Depois me adiantei e disse:
− Vim da ilha mística de Balah, li muito sobre Redbow e queria conhecer a floresta, porque aqui também é meu lar, já que meu pai é um elfo desta floresta.
− E quem seria seu pai?
− Talvez não lembre, quando deixou a vila você deveria ser um pequenina elfa, seu nome era Lucius Elendyr.
− O nome não me é familiar, deve ser da época em que minha mãe era a guia deste lugar. E como se chama minha jovem?
− Oh, perdoe-me esqueci de dizer meu nome, é Sophie.
− E você? – disse Circe se dirigindo a Arkeron.
− Sou Arkeron de Kalindor, milady e estou aqui para conhecer a floresta e aprender um pouco mais sobre os meus irmãos do norte. Aliás, estive na floresta de Kran e a senhora Lirian mandou um recado para uma druida que deve estar aqui. Onde posso encontra-la?
− Vocês devem estar sabendo do ataque que sofremos ontem. Infelizmente Lia morreu em combate.
− Que lástima – disse Arkeron – odeio ser portador de más noticias.
− Se eu tivesse chegado uns dois dias antes talvez pudesse ter ajudado.
− Não se perturbe por isso minha cara, você poderia ter sido de grande ajuda, mas não teria mudado o rumo das coisas. Bem, então sejam bem vindos Arkeron e Sophie, sintam-se a vontade. Beleg lhes mostrará onde poderão se acomodar.
Circe em nenhum momento se aproximou de nós e se manteve sempre camuflada pela fumaça. Eu tinha ouvido falar que a dama élfica de Redbow era muito receptiva, mas ela pareceu tão distante, deve ser por causa das muitas perdas que houve na última batalha e Beleg me disse que a feiticeira necromante havia jogado uma maldição em Circe, mas não me deu nenhum detalhe sobre o tipo de maldição.
Fomos levados até nossos flets, depois Beleg se ofereceu para mostrar o resto da floresta. Arkeron pensou em deixar seu bandolim no abrigo, porém, após me olhar de um jeito meio suspeito, resolveu levar seu instrumento. O que ele estava pensando? Que eu não faço outra coisa a não ser cantar?
...
Quando chegamos a um descampado Beleg começou a nos descrever a batalha que ocorreu ali.
− O ataque aconteceu durante o jantar. De repente Circe desceu de seu flet e disse que estávamos sobre ataque, neste exato momento vários demônios pequenos começaram a descer do céu e nos atacaram. Soaram alertas de todos os lados. O fogo, lançado pelos demônios, começou a consumir as árvores e aí Circe conjurou uma magia, e em poucos segundos uma chuva forte começou a cair. Depois todos sentiram um calafrio e nossa dama saiu correndo até chegar neste descampado. Aqui havia um demônio enorme, a feiticeira necromante, dois drows e um golem que parecia ser guarda-costas da feiticeira. Circe correu até o demônio, Forte tentou ataca-lo com sua espada magica, mas o demônio a quebrou como se fosse um graveto, depois conjurou um circulo de fogo para impedir que alguém interrompesse sua luta com nossa dama. Enquanto isso os outros tentavam liquidar os inimigos que estavam por toda parte. Foi ai que eu vi a druida Lia, em sua forma de tigre gigante, tentar acabar com o golem, mas ela foi cercada pelos drows, a feiticeira e o golem, ela jamais poderia com tantos inimigos ao mesmo tempo e eles a mataram. Forte tentou adentrar as chamas do demônio para resgatar Circe e quase morreu por isso, mas por fim conseguimos abater a feiticeira e os drows fugiram quando perceberam que iam perder. O golem mesmo tendo de inteiro só a cabeça ainda lutava desesperadamente para defender sua senhora e o demônio foi expurgado por Circe que caiu exaurida. Não sei como, mas aquela maldita feiticeira ainda conseguiu lançar uma maldição em nossa dama e desde então ela se mantém afastada de todos nós. E estamos neste exato momento tentando descobrir o que é esta maldição e como anula-la.
De repente Beleg olhou para sua esquerda e pareceu apreensivo, depois disse:
− Parece que já vamos descobrir. Fiquem aqui.
− O que aconteceu Beleg?
Ele saiu correndo em direção ao centro da vila, mas antes gritou:
− Apenas fiquem aqui.
Eu queria saber o que estava acontecendo e não dei ouvidos ao que ele disse, segui para o centro também e Arkeron foi junto comigo. À medida que me aproximava via que muitos elfos seguiam a mesma direção. O que será que estava acontecendo lá?
Capítulo VI
O julgamento e a terrível maldição
Quando cheguei ao centro da vila vi uma humana, que pelo olhar de ódio dos elfos só poderia ser a feiticeira necromante, ao seu lado, encravado em uma árvore, havia uma adaga, que para meu espanto, estava falando, porém logo senti que um espirito habitava sua lamina. No chão estava um embrulho que se remexia, era a cabeça do golém.
Os elfos pareciam muito revoltados, eu também estava, olhar para aquela mulher, com seu sorriso de deboche, me fazia lembrar o meu pai. Minha vontade era de mata-la com minhas próprias mãos, mas não cabia a mim julgar.
Apesar dos insultos, ameaça e até algumas agressões Anete apenas sorria triunfante. Circe apareceu na varanda do seu flet e falou:
− Você invadiu a nossa casa, matou nossos irmãos e se nega a dar um motivo. Por quê?
− Invasão? Quem invadiu primeiro? Vocês, elfos estúpidos que metem o nariz onde não são chamados. Você Circe enviou seus malditos orelhudos para a minha aldeia, me atacaram primeiro, eu apenas vim dar o troco.
Todos permaneciam em silencio enquanto a dama falava.
− E o exercito de zumbis que estava criando? Qual a finalidade?
− Minha rixa era com Ratodragon, não havia necessidade de intromissões.
− Estávamos tentando evitar uma guerra.
− Uma guerra que não era sua e por isso provaram um pouco do meu ódio. Por falar nisso, e a maldição? Está se divertindo?
− O que fez com a nossa dama? – perguntaram alguns elfos ao mesmo tempo.
Anete sorriu e disse alegremente:
− Não importa para onde vá, ou o que faça, ninguém poderá se aproximar de você novamente, aquele que tentar cairá em desgraça, e assim ficará sozinha sem seus amados elfos.
A dama élfica parecia muito triste, era um fardo grande demais para uma única pessoa.
O espirito da adaga tentava, sem sucesso, defender a sua dona, neste momento Redbow recebeu mais dois visitantes. Um era um humano de cabelos azulados de cujo nome Lucas, o outro era um ser inanimado e pelo que li em Balah devia ser um mek de nome Artur. Ambos pareciam amigos dos elfos.
Logo que Lucas se mostrou visível o espirito da adaga pediu clemência e implorou ajuda a ele, disse também que se chamava Aman Nox. Lucas ficou louco ao ouvir aquele nome e implorou aos elfos que libertassem a adaga, que era seu amigo e que devia ter sido controlado por Anete, nesse momento quem se enfureceu fui eu, então quase gritei para o humano:
− Afinal de contas você não se diz amigo dos elfos? Então por que defender este assassino? Controlado ou não ele também é responsável pela morte de vários seres desta floresta. Espera mesmo que o libertem só por que você está pedindo?
Lucas parecia furioso comigo.
− E você quem é? – perguntou-me ele.
− Sou uma elfa de Redbow.
Enquanto eu e o recém-chegado discutíamos, uma flecha atingiu Anete e foi seguida por outras que deram um fim a sua existência. O corpo foi deixado no chão, junto da cabeça do golém que também já estava morto, e aos poucos foi consumido pelo solo. Quanto a adaga, foi condenada ao poço do elemental de fogo. Parece que Redbow é cheio de mistérios, segredos e alguns perigos.
Depois disso fui me sentar próxima à árvore dourada, lá estava Arkeron também. Sentei-me ao seu lado e disse:
− Que triste isso que aconteceu com Circe.
− Uma lástima – ele respondeu.
− Sabe Arkeron, lá em Balah vi muitos feitiços sendo desfeitos com o uso de pergaminhos, até mesmo algumas maldições. Os itens confeccionados lá são de alta qualidade e talvez ajudassem Circe.
− Acredito que ela mesma já tenha pensado em todas as possibilidades de reverter esta situação.
− Você tem razão, só queria encontrar um meio de ajudar.
− É o que todos querem.
Estava me sentindo muito triste e incapacitada, meu principal objetivo de vir a Redbow era ajudar, e, no entanto, além de chegar tarde a ultima batalha, ainda fico de mãos atadas com a situação de Circe. Isso me deprime.
Resolvi caminhar um pouco até que encontrei Beleg. Mantivemos uma conversa agradável e ele continuou a me mostrar a floresta, me contando sobre alguns mistérios de Redbow. Beleg resolveu me mostrar um desses lugares que ele mencionou e antes de chegarmos lá encontramos Arkeron, que resolveu ir junto. O lugar era uma pequena caverna, conhecido como a “Caverna Espelho” e na entrada existia um símbolo que nunca vi antes.
− Esta caverna – falou o nosso guia – é usada para testar as habilidades. Lá dentro você enfrentará seus piores medos e quando se é bem sucedido a nossa dama costuma ceder um presente.
− Nossos piores medos? – perguntei.
− Sim – respondeu Beleg.
Imaginei o que encontraria ali, meu pai com um drow talvez? Ou quem sabe toda a milícia de Balah tentando me capturar? Era isso que eu temia.
− Eu vou – disse Arkeron desafiadoramente. – Você vem?
− Claro que vou – falei tentando ser confiante.
− Primeiro as damas.
Entrei temendo o que encontraria, mas acho que Beleg não tem muita noção do que sejam piores temores. No inicio só encontrei uma agua escura que escorria pelo chão, um pouco mais a frente surgiu uma sombra que portava duas espadas, parecia minha sombra, mas ela me atacou, e minha sombra não faria isso. Faria?
Agora fazia sentido o nome, caverna espelho, eu teria que lutar comigo mesma, e foi o que fiz. Tentei golpeá-la, mas ela era mais ágil do que eu e livrou-se facilmente dos meus golpes e atacou-me com mais habilidade ainda. Seu ataque foi poderoso e logo eu perdi a consciência devido ao grave ferimento.
...
Quando acordei estava em meu flet, ainda era dia, então deduzi que passei pouco tempo inconsciente. Ao meu lado estava Arkeron e parecia que já havia prestado os primeiros socorros em mim.
− Que vergonhoso, perder para mim mesma.
Ele sorriu e disse:
− Você não foi a única a tentar e não conseguir.
− Você também falhou?
− Não, me referia a outros que tentaram antes de nós.
Fiquei ainda mais constrangida e Arkeron percebeu e me deu um sorriso encantador. Já mencionei o quanto o sorriso dele era perturbador? Não? Pois é, Arkeron sorrir de uma forma atraente, sedutora e maliciosa ao mesmo tempo. É como se seu sorriso guardasse um mistério tentador e sempre que aparecia parecia convidar a desvendar o que havia ali. Isso me balançou muito. Reconheço um conquistador quando vejo um e Arkeron parece um da pior espécie, ele tem algo que me atrai fortemente e que ao mesmo tempo temo. Seria sábio me manter afastada dele, para o bem do meu segredo.
Tentei levantar da cama, mas ele me impediu.
− Vou pegar um pouco da seiva da arvore pra você. Fique ai quieta.
Sorriu e saiu.
Novamente aquele maldito sorriso. Enquanto eu divagava entre os encantos de Arkeron, senti algo gélido me tocar. Aquele toque era familiar, já o sentira diversas vezes, era um espirito. Tentei me erguer, mas ele interpôs dizendo:
− Não se mexa senhorita, você está muito fraca.
− Um espirito? O que faz aqui?
Normalmente, quando um espirito vem até mim é para pedir algo.
− Sou apenas um espirito faminto? – ele disse com sua voz fantasmagórica.
− Faminto? E do que se alimenta?
− De outros espíritos fracos.
Admito que me assustei muito, apesar de já ter visto e ouvido muitas coisas estranhas, confesso que nada se comparou a isso. Ele acabara de dizer que eu estava fraca, o que mais poderia pensar? Ele estava ali para me devorar, então fiz tudo o que poderia fazer. Gritei.
− ARKERON.
Ele veio correndo, parecia aflito.
− O que aconteceu?
Contei-lhe o ocorrido e quando acabei ele me lançou um olhar de incredulidade, o que me deixou furiosa. Por isso o expulsei do flet.
Por mais acostumada que estivesse com minhas visitas inesperadas, eu esquecia que isso é algo muito estranho e as pessoas geralmente não acham o fato algo natural.
Bebi a seiva que Arkeron me trouxe e o que senti é difícil de expressar em palavras, mas vou tentar. A seiva é bem consistente, ao beber senti algo morno percorrer não só a garganta, mas todo o meu corpo, é como se você estivesse no frio e entrasse em um lugar bem aquecido, o calor percorre todo seu corpo e lhe dá uma sensação muito agradável, e o sabor é maravilhoso. Consegue imaginar a coisa mais saborosa que já experimentou, a seiva é dez vezes melhor. Não me importarei nem um pouco de continuar me ferindo em Redbow se puder tomar mais da seiva.
Capítulo VII
Um novo substituto
Caminhar por Redbow era muito agradável, e foi o que fiz logo após tomar a seiva. Caminhei até que encontrei Beleg treinando com o arco, me aproximei e ele sorriu educadamente.
− Gostaria de se juntar a mim?
− Minha habilidade está nas lâminas.
− Bem, não sou nenhum espadachim, mas conheço alguns truques.
Ele disse isso e empunhou uma espada curta. Peguei minhas armas e começamos um duelo, que vergonhosamente, eu perdi. Como poderia ter perdido para alguém que tem como especialidade o arco? Beleg pareceu se compadecer de mim, por isso falou:
− Você é boa Sophie, mas está muito na ofensiva. Deve se preocupar com a defesa também.
E começou a me mostrar algumas manobras.
− Você é muito bom Beleg, eu tenho que admitir. Poderia me ensinar mais?
− Não. Perdi um amigo recentemente e a espada era sua arma favorita, empunhar uma me faz lembrar ele.
− Sei que deve doer muito Beleg, mas as lembranças virão de qualquer forma. Perdi alguém querido e doe muito, acredite em mim, mas o melhor a fazer é manter as melhores lembranças vivas.
Ele ponderou por um momento e com relutância perguntou:
− Que outras armas você usa?
Afastei um lado da minha capa e deixei meu chicote amostra.
− Um chicote? – surpreendeu-se ele – Normalmente são usados por drows.
A verdade é que eu vi uma vez em um livro um homem dominando uma fera usando apenas um chicote, então imaginei que o chicote fosse um objeto de dominação. Claro que não mencionei isso a Beleg, apenas dei de ombros. Ele me analisou por alguns segundos e depois perguntou:
− Esta é a sua primeira noite em Redbow, não é?
Afirmei, então ele continuou:
− O que me diz de um passeio a outro lugar secreto desta floresta?
− Seria ótimo.
− Nos encontraremos aqui após o jantar.
Continuei com minha caminhada até que cheguei a uma das torres de vigia e havia um grupo de elfos jogando. Aproximei-me para ver o tipo de jogo, era um que usava varinhas pequenas. Quando cheguei eles estavam finalizando então eu propus que fizéssemos uma aposta.
− Já estamos apostando. – disse um dos elfos – Gostaria de se juntar a nós?
Percebi que havia algumas moedas ali e também uma garrafa de hidromel.
− Poderíamos melhorar esta aposta? – eu disse.
− Eu tenho um anel que ganhei de Circe – disse um.
− Não quero mudar as apostas – protestou outro.
Além de dinheiro tudo que tinha era uma gema de energia e não pretendia me desfazer dela tão facilmente, então tive uma ideia.
− Que tal se jogássemos e aquele que ganhar vai poder sair comigo. Mas se eu ganhar vocês farão o que eu quiser.
Eles ficaram bem animados com a proposta e assim o jogo começou. Perdi na primeira tentativa e eles continuaram jogando bastante empolgados. Por fim um elfo chamado Wester venceu e todos me olharam com expectativa. Não fiquei muito feliz com o resultado, afinal eu queria ganhar, mas trato é trato, porém, não cedi tão facilmente e falei de forma esnobe:
− Você ganhou? Ótimo, mas não disse que sairia hoje, até mesmo porque, já tenho compromisso esta noite.
Todos os outros caíram na gargalhada.
− Mas não se preocupe, pretendo manter minha palavra.
Enquanto me afastava ouvi eles ainda rindo de Wester, mas sabia que apesar do que eu disse todos gostariam de estar no lugar dele.
...
O jantar de Redbow é muito bom e comi até estar satisfeita. Depois fui encontrar Beleg no local combinado.
− E para onde pretende me levar? – perguntei.
− Verá quando chegarmos lá.
Caminhamos até sair dos limites da floresta e depois escalamos um pequeno morro. Lá em cima a vista era espetacular, havia um pequeno lago e a lua estava cheia, o seu brilho refletia na água.
− Este era um dos lugares preferidos de Isnel – disse Beleg – costumávamos vir acampar aqui na lua cheia.
− É lindo aqui.
Beleg foi até um amontoado de ervas daninhas e folhas secas e de lá ele tirou tudo o que precisávamos para montar um acampamento e assim foi. Eu o observava e lembrava-me de alguém de muito tempo atrás que costumava agir da mesma forma calma, educada e paciente de Beleg, Aram. Sentia que o vazio que habitava minha alma já não parecia tão profundo nem tão doloroso, então percebi que um novo amigo havia surgido e senti como se Aram estivesse ali me sorrindo, assim como ele prometeu.
Preparamos uma fogueira e com a magia que meu velho amigo e amor havia me ensinado eu a acendi. Depois Beleg preparou umas tochas com ervas e repeti o mesmo processo da fogueira.
Enquanto as ervas queimavam e exalavam seus perfumes Beleg me contou sobre sua vida com Isnel, suas aventuras, seus sonhos, o romance de seu amigo com a druida Lia, enfim tudo. Falei sobre mim também, as festas, as historias da ilha, alguns fatos da infância, mas evitei falar sobre meu pai e o motivo de sair de casa, não falei da minha fuga. Ele percebeu que às vezes eu contornava alguns assuntos, mas não insistiu em saber mais.
− Sabe Beleg, você se mostrou bastante habilidoso e está sendo uma ótima companhia desde que cheguei a Redbow e eu estou pensando em fazer uma viagem até Valimar, a terra da minha mãe, mas odeio ficar sozinha, então eu pensei que se você pudesse poderia vir comigo.
− Estamos tendo tantos problemas no momento e tem essa maldição de Circe. Não sei se seria uma boa ideia sair da floresta agora.
− Um elfo a menos não faria tanta diferença assim, além disso, você pouco pode fazer por Circe agora.
Isso soou bem egoísta, mas queria levar Beleg comigo.
− Tem razão, estou servindo de pouco ajuda neste momento, então prometo que vou pensar na sua proposta.
Eu sorri.
Continuamos conversando até que o sono começou a me dominar, não conseguia tirar os olhos dele, era como se estivesse vendo Aram e estava disposta a não deixa-lo escapar desta vez. Quando meus olhos estavam quase fechando vi Beleg acariciar meus cabelos e adormecer em seguida.
...
Dormi bem e quando acordei Beleg ainda não havia acordado. Levantei-me e fui banhar-me no lago, havia um nevoa densa e que impedia a visualização. Quando voltei ao acampamento meu mais novo amigo havia organizado tudo.
− Que tal um pequeno treino agora? – sugeriu ele.
− É claro.
O treino foi um pouco mais produtivo do que o anterior, mas ainda assim eu perdi para Beleg de novo, mesmo usando magia, ele me derrotou.
− Defesa Sophie, mantenha o foco na sua defesa.
Era tão fácil estar com ele, era como se nos conhecêssemos há anos, minha vida teria sido tão menos difícil se Beleg fosse de Balah, eu nem mesmo teria fugido de casa.
Enfim, voltamos para Redbow.
...
Decidi registrar toda a minha viagem, mas precisava de material para isso, então resolvi ir até a cidade. Mas como promessa é divida, procurei Wester para me acompanhar. Eu o encontrei plantando algumas roseiras e ele pareceu surpreso ao me ver, deve ter pensado que eu não cumpriria a promessa.
− Estou indo a cidade. Gostaria de me acompanhar? Devo-lhe isso lembra?
− Claro, só me dê um minuto para me lavar.
Depois de limpo, nós dois seguimos para Ratodragon. Wester me falou sobre sua vontade de sair de Redbow, de conseguir uma companheira e morar em uma cabana nas montanhas. Percebi que ele me falava de seus desejos e ao mesmo tempo tentava me cortejar, o que não me deixou muito satisfeita, mas guardei minhas opiniões para mim.
Em uma livraria comprei papeis, penas e tintas, depois segui para uma joalheria onde comprei um medalhão élfico para Beleg, que tinha uma frase sobre perseverança. Wester me pediu para passarmos na taverna para tomar um hidromel, achei que seria uma ótima ideia. Ao entrarmos na taverna eu não acreditei no que meus olhos viam, na parede a nossa esquerda tinha um quadro de avisos e um deles era um cartaz com meu rosto e uma recompensa imensa para quem me levasse até a guarda da cidade. Apressei Wester, queria voltar o mais rápido para a floresta, parecia que minha felicidade duraria pouco.
...
Procurei por Beleg e era quase noite quando o encontrei.
− Ei, precisamos conversar – eu disse.
− Podemos sair hoje à noite, após o jantar?
− Seria uma ótima ideia.
E assim seguimos para o jantar.
Capítulo VIII
Uma esperança e uma decepção
Percebi de imediato que tínhamos visita, era uma linda elfa e um humano bardo que parecia acompanha-la, perguntei a Beleg quem eram.
− A elfa se chama Hanna, é uma clériga de Yavana e o humano é um bardo, Estefan Moris, companheiro de Hanna.
O jantar se decorreu normalmente, com exceção da presença de Circe, o que deixava os outros bem cabisbaixos. Após a refeição pedi a Beleg que me aguardasse, pois necessitava falar com a dama. Fui até o flet e bati.
− Circe? Posso entrar?
− Claro.
Eu entrei e novamente a dama se encontrava no local mais distante do recinto.
− O que quer Sophie?
− Bem, estive pensando que, já que não há outras elfas aqui talvez estivesse se sentindo sozinha e quisesse conversar.
− Não me sinto sozinha.
− Me desculpe se estou incomodando.
− Não, espere. Sobre o que quer conversar?
− Não sei. Assuntos de mulheres talvez?
Ela remexeu em alguns frascos e pegou um de cor azul e disse:
− É uma mistura que eu criei. Costumo usar todas as manhãs no cabelo e eles ficam bem macios e brilhantes.
Não era sobre isso que queria conversar, mas já era um começo.
− A senhora não desceu para o jantar e eu fiquei preocupada. Os outros parecem bem tristes sem sua presença.
Pensei que ela fosse chorar, sua feição, antes neutra, agora era de imensa dor. Tentei me aproximar, mas ao fazer isso senti uma energia ruim sugar minhas forças e foi com espanto que percebi que tal energia vinha de Circe. Então era essa a maldição de Anete? Que terrível, tanto para a dama élfica, como para os habitantes de sua floresta, serem privados de sua principal luz.
− Era essa a maldição que aquela feiticeira mencionou?
Circe apenas afirmou.
− Não há nada que eu possa fazer?
− Apenas um milagre pode resolver isso e é por isso que Hanna, clériga de Yavana, está aqui.
− Então só nos resta acreditar que tudo dará certo.
Circe sorriu.
− É melhor ir.
− Obrigada por vim Sophie.
Eu sorri e sai.
Encontrei Beleg e fomos até o riacho.
− Beleg – eu disse – tenho um presente para você.
− Por quê?
− Para que tenha algo para lembrar-se de mim, quando eu for embora.
Eu coloquei o medalhão nele e fomos seguindo até chegar ao riacho.
− Você disse que iria embora? Por quê?
Eu me lembrei do que Lira, a esposa de Aram, me disse uma vez, que Aram havia morrido por causa do meu egoísmo; recordei também de tudo o que meu pai era capaz de fazer e me preocupei com a segurança de Beleg. Não seria justo envolve-lo na minha vida complicada, não suportaria perder mais alguém por puro egoísmo.
− Estive pensando e acho que seria mais seguro viajar sozinha.
− Pensa que sou perigoso para você?
− Não Beleg, seria perigoso você estar comigo.
Ele gargalhou e disse:
− Perigoso? Com você? Por quê?
− Se mostrou digno da minha confiança, não tenho porque esconder isso de você.
Ele esperou paciente.
− A verdade é que eu fugi de Balah, Beleg.
− O quê? – ele gritou – O que fez para ter que fugir da ilha?
− Não Beleg, eu apenas fugi de casa.
− Mas por quê? Seus pais devem está preocupados.
− Minha mãe sim, mas meu pai é um monstro, foi por causa dele que fugi.
− Tudo bem, você fugiu. Mas onde é que isso se torna perigoso para mim?
− Hoje fui à cidade e encontrei um cartaz à minha procura na taverna. Meu pai está oferecendo uma boa recompensa para quem me entregar, é questão de tempo até alguém vir me procurar aqui. Se você for encontrado comigo é capaz do meu pai acusa-lo de sequestro e não sei o que ele faria com você.
− E de quanto é a recompensa?
− Está pensando em me entregar?
− Depende da quantia oferecida.
Eu fiquei muito assustada, mas tentei disfarçar, se ele pretendia me entregar à milícia, então precisava buscar outra forma de fugir. Meu pavor deve ter transparecido, porque Beleg me olhou, sorriu de forma tranquilizadora e disse:
− Não se preocupe Sophie, eu não faria isso, nem nenhum outro desta floresta fará. O dinheiro não nos interessa e somos leais com os amigos.
− Meu pai é um elfo desta floresta e isso não o impede de ser ambicioso, mal, egocêntrico e oportunista. Me via apenas como um meio de aumentar sua fortuna com um casamento arranjado.
− Mas eu não sou seu pai e vou guardar muito bem o seu segredo. Agora – disse segurando meu rosto e virando-o – olhe ali.
Quando virei-me vi luzes brotando nas aguas do riacho, fiquei encantada com a cena e só depois é que percebi que as luzes vinham das torres de vigia de Ratodragon. Ficamos conversando por horas e Beleg me disse tantas coisas lindas, era como estar com Aram novamente, mas o sentimento era mais fraternal.
Por fim adormecemos ali mesmo.
...
Quando voltamos à vila todos estavam reunidos em volta da grande arvore dourada. Hanna e Estefan estavam em uma sincronia perfeita e a melodia da clériga me fazia feliz e triste ao mesmo tempo, foi impossível conter as lagrimas.
A melodia mudou e eu me senti fortalecida, foi quando Circe desceu em todo seu esplendor. Até então eu não havia visto o quanto sua beleza era perturbadora, era assim que ela era em seus dias de gloria, simplesmente magnifica. Todos perceberam que Hanna estava tentando remover a maldição, porque Circe se aproximou e nada sentimos. A felicidade reinava novamente.
Quando a musica finalizou, a tensão pairava no ar, até que eu senti uma energia muito ruim e percebi que não era a única. A benção de Hanna não havia funcionado, então para surpresa de todos os presentes, Circe fez uma declaração.
− Vendo que nem mesmo Hanna conseguiu me livrar desta terrível maldição decidi procurar por outros servos de Yavana, e junto comigo vai ela, Stefan, Lucas e Artur.
− Minha senhora – disse Lucas – não acho que seja uma boa ideia partir. Tenho um amigo que pode rogar para sua deusa em prol da sua causa.
− Sinto lhe informar – interrompeu Hanna – mas deuses humanos não podem interferir na vida de elfos, assim como deuses élficos não podem interferir na vida dos humanos.
− Sendo assim – continuou Circe – minha decisão está tomada.
E assim, parecia que a desgraça novamente recaía sobre Redbow.
Capítulo IX
Muitos acontecimentos inesperados
Não foi com muita alegria que recebemos a noticia de Circe, mas como não havia forma de fazê-la reconsiderar, nos restou apenas levar a situação adiante, da melhor forma possível.
Circe reuniu-se com alguns elfos, que quiseram acompanha-la, na varanda do seu flet para decidir quem tomaria as decisões em sua ausência. A escolha dela seria Forte, mas a ultima palavra seria dos demais.
Beleg tinha me falado de Forte e eu tinha o visto algumas vezes, era um elfo bastante musculoso e sempre com uma cara rabugenta, e hoje ele parecia excepcionalmente ainda mais rabugento. Pelo que ouvi nos últimos dias, ele tinha uma devoção fora do comum por Circe, quase morreu para arrancá-la das chamas do demônio que atacou a vila. Na terra de onde venho isso se chama amor. Mas também ouvi que ele era um guerreiro habilidoso e responsável e por isso todos os presentes concordaram que ele seria o melhor indicado da dama.
Em meio à discussão um grande clarão invadiu a vila, deixando todos, temporariamente, cegos. Ao diminuir a claridade eu desci do flet e alguns elfos por ali disseram que viram uma luz seguir para o interior da floresta e foi para lá que eu segui e mais a metade da dos elfos de Redbow.
Seguimos na direção indicada até que nos deparamos com uma caverna. O que quer que tenha adentrado a vila estava lá. De dentro saía um vapor gélido e branco. Aguardamos receosos, a tensão dos últimos dias estava expressa em cada olhar presente. Por fim Circe também estava ali e foi quando uma voz estrondosa falou:
− Desejo falar com a dama desta floresta. E que ela esteja sozinha.
Ninguém pareceu feliz com exigência da criatura, mas ainda assim Circe adentrou o lugar dizendo:
− Não se preocupem, tudo ficará bem.
Não foi com muita confiança que ouvimos isso, mas a ultima palavra era a dela. Os minutos foram se passando e nada de Circe aparecer, alguns elfos já ameaçam adentrar a caverna quando o humano Lucas falou:
− Não devem se preocupar, ela está segura.
− E você sabe o que está lá dentro? – perguntou eu e outros.
− É um dragão branco. Já o vi outras vezes e ele não é inimigo.
Isso não pareceu aliviar a tensão, mas ao menos, não eram noticias ruins. Em poucos instantes a dama élfica voltou e disse:
− Esta criatura que adentrou nossa floresta é um dragão branco que se chama Guinawinhi e que retorna para descansar em nosso território. Ele está ciente da nossa atual situação e está disposto a aconselhar aqueles que lhe procurarem.
Terminando isso ela se retirou para o seu flet.
Depois que passou o alvoroço, segui caminhando em direção ao riacho, era a minha parte preferida da floresta. Lá encontrei com Beleg que me disse sorridente que iria comigo até Valimar. Deveria ter ficado feliz, mas não tinha certeza se queria arriscar a vida de um amigo por causa do meu egoísmo, então sorri para ele e continuei a caminhada. Estava próxima a uma das torres de vigia quando reparei em um aglomerado de elfos, pensei que estivessem jogando, mas reparei que eles estavam espreitando algo.
− O que estão fazendo? – eu perguntei.
Eles pediram silencio e indicaram o que olhavam. E eu vi uma pequena imigração de ciclopes, e isso era estranho porque pelo que eu sabia dessas criaturas eles não costumavam abandonar seus territórios tão facilmente, e o que quer que fosse a causa disso era algo bem assustador ou poderoso, de qualquer forma era um fato preocupante. E os outros elfos pensavam igual a mim. A imigração passou e eles voltaram a seus postos, menos um, o que parecia ser o capitão daquela tropa.
− Meu turno acabou e eu estou indo a cidade, alguém irá?
Todos disseram não, então o capitão, que se chamava Wistol, virou-se para mim e perguntou:
− Gostaria de me acompanhar milady?
Estava com muitos pensamentos na cabeça e me distrair um pouco faria bem, e apesar da cidade ser o ultimo lugar que eu deveria ir, aceitei.
Íamos mantendo uma conversa agradável até que alcançamos os limites da floresta e fomos interceptados por duas sombras. Eram drows.
− Vejam só – zombou um deles – duas ovelhinhas desgarradas.
Imediatamente, Wistol disparou uma flecha para o céu que foi acompanhada por um longo e alto assobio. Ele estava mandando um sinal de alerta. Sem esperar pela ajuda que provavelmente viria, os drows atacaram, um para cada um de nós. Eu estava aterrorizada, nunca havia enfrentado um drow e nem me achava preparada para isso. Falei o nome do meu pai na esperança vã de que ele soubesse quem era, não me importava com segredos, só queria salvar a minha vida e a de Wistol, que, aliás, lutava bravamente contra o outro drow.
Quanto ao meu inimigo, nem me deu ouvidos, me atacou para matar e eu ataquei e me defendi, mas ele era mais habilidoso e logo conseguiu me ferir. Tentei ao máximo me concentrar, iria recorrer a magia, e em segundos consegui criar uma bola de fogo, mas nesses segundos de espera o drow me feriu novamente.
Havia aprendido com meu professor, em Balah, como conjurar uma magia em pleno ataque. Isso requeria uma grande concentração, mas ele se esquecera de dizer que o medo atrapalha muito mais do que os ferimentos, mas ainda assim ali estava o esforço de anos na escola de magia, e foi sem pensar que enterrei em cheio a bola de fogo no rosto daquele ser. Aquilo não o mataria, mas me daria uma vantagem e eu tinha que agarra-la com unhas e dentes. Neste momento vi pelo canto do olho que o drow que enfrentava Wistol havia sumido e o elfo não sabia onde ele estava e para meu horror a cabeça de Wistol despregou-se do pescoço e rolou pelo chão e às suas costas estava o drow que acabara de degola-lo. Eu estava sozinha, ferida e com dois drows para enfrentar, mas tudo o que via era a cabeça de um companheiro rolar sem vida.
Ataquei cegamente meu oponente, sem esperanças de vitória, mas com a determinação de morrer lutando, porém eu havia perdido a minha vantagem e cedido ela ao drow. Ele baixou sua lamina em minha direção sem hesitar e pude sentir o sangue escorrer novamente, mais um pouco e eu estaria morta. Tentei desesperadamente golpeá-lo, mas ele desviou minha lâmina, assim como um guerreiro experiente desvia um golpe de um garoto que empunha a espada pela primeira vez. Seu golpe veio ainda mais feroz que o anterior e eu sabia que chegara o meu fim, até que o drow parou seu ataque e viu seu corpo perfurado por varias flechas. A ajuda havia chegado e eu só lamentava que não tivessem vindo a tempo de salvar Wistol, mas estaria mentindo se dissesse que não estava feliz por estar viva.
Fui levada por um dos elfos que havia aparecido em nosso socorro e quando chegamos próximos ao centro da vila havia um grande aglomerado de elfos. Forte foi o primeiro a nos interceptar.
− O que aconteceu? Perguntou a um dos elfos que trazia o corpo de Wistol.
Ele delicadamente depositou o companheiro no chão e respondeu:
− Drows. Um deles está morto e o outro não viverá muito.
Arkeron se aproximou de mim.
− Você está bem?
− Vou sobreviver – sentia-me culpada pelo alivio com que respondia.
Forte continuou:
− Drows? Como pode haver drows perambulando pela floresta e vocês não estarem ciente disso?
Arkeron interpôs:
− A verdade é que Wistol sabia.
À medida que ele falava Forte ficava cada vez mais furioso.
− Eu vi rastro de drows enquanto caminhava pelos limites da vila há dois dias – continuou Arkeron – e havia avisado Wistol disto. Então ele sabia dos drows quando saiu.
− Você sabia disto e não me avisou? – trovejou Forte – Sua incompetência custou a vida de um dos melhores elfos que tínhamos aqui.
Pensei que ele fosse bater em Arkeron, eu mesma teria batido se não estivesse tão machucada.
− Você não é um elfo de Redbow, é apenas um visitante e deve me reportar tudo o que descobrir. Não vou tolerar mais uma situação dessas.
Dizendo isso Forte se afastou e Arkeron ficou cabisbaixo, não envergonhado, mas furioso, e também saiu.
Circe chegou logo após a discursão e entendera tudo sem necessitar de explicações. Vi Beleg se aproximar, olhar para o corpo no chão e depois sair bastante triste. A dama aproximou-se do elfo morto, estendeu a mão e labaredas consumiram-no quase que instantaneamente. Alguns presentes pareciam horrorizados com a imparcialidade de Circe, inclusive Hanna, mas ninguém a questionou.
Segui para meu flet, precisava cuidar dos meus ferimentos. Após beber um pouco da seiva da arvore dourada me senti muito melhor, mas meu coração ainda pesava pela morte de Wistol e também me sentia culpada por Arkeron. A forma como Forte o tratou foi injusta e eu nem ao menos o defendi, resolvi ir procura-lo e me desculpar. Não sabia por onde começar, então fui ao meu lugar preferido. O riacho. E ele estava lá. Aproximei-me.
− Arkeron? Posso me sentar ao seu lado?
Ele apenas afastou-se um pouco.
− Queria me desculpar com você pelo que aconteceu mais cedo.
− Não tem porque se desculpar Sophie. Forte tem razão.
− Não tem não, ele não podia ter falado com você daquela forma, foi injusto. Tem tanto direito quanto ele de estar aqui e se alguém agiu de forma errada foi Wistol que sabia dos drows e preferiu se arriscar sozinho. E eu... eu deveria ter defendido você meu amigo e isso é imperdoável da minha parte.
Ele me deu um leve sorriso, mas não era aquele sorriso maroto de sempre, e nem consegui dizer o que significava.
− Agora que Circe vai partir, o que pretende fazer? – eu perguntei.
− Pretendo ficar, acho que posso ajudar em alguma coisa. E você?
− Não sei, estou pensando em ir embora.
− Por quê?
− Estou com medo. Meus pesadelos me perseguem e não sei se consigo enfrentá-los, então acho melhor ir embora.
A expressão de Arkeron foi do desconsolo a raiva, ele me olhou da mesma forma que Forte o havia olhado mais cedo e aquilo me provocou arrepios.
− Pretende fugir dos seus medos? Por quê?
Eu me senti uma criança tentando justificar algo que não deveria ter feito.
− Eu não estou preparada para isso.
− E quando estará? Nunca. Isso não é medo Sophie, isto é covardia.
E ele me deixou sozinha e com vergonha, porque no fim, ele tinha razão.
...
Quando retornei ao centro da vila encontrei Hanna, Stefan e Lucas. Pelo que pude ouvir da conversa dos três, Circe havia convocado Artur, Forte e Arkeron para uma reunião. Fiquei curiosa para saber o resultado daquela reunião, por isso continuei por ali, tentando acompanhar a melodia que Hanna cantava.
Pouco tempo depois Forte apareceu bastante aborrecido e foi em direção a floresta sem perceber a nossa presença, logo em seguida vinha Arkeron que parecia o oposto de Forte.
− O que aconteceu com ele Arkeron? – eu perguntei.
− Ele está chateado – respondeu sorrindo – acho melhor eu ir falar com ele.
E se foi.
Por ultimo veio Artur que não demonstrava emoção alguma, o que era de se esperar, já que ele é um mek.
− O que houve lá Artur? – perguntou Lucas.
− Circe resolveu deixar Forte e Arkeron responsáveis pela segurança da vila e isso não o agradou nem um pouco.
− E o que Circe queria com você? – insistiu o Lucas.
− Disse que partiríamos amanhã antes do sol raiar. Esteja preparado.
Não me interessava os planos daqueles estranhos e resolvi procurar Beleg, estava preocupada com ele. Não o encontrei, alguns elfos me disseram que ele estava na cidade. Por mais que quisesse falar com meu amigo não estava disposta a me arriscar novamente na floresta, então voltei para meu flet, precisava descansar.
...
Durante a madrugada fui acordada por uma voz que me chamava.
− Ei você pode me ouvir?
Era um espirito.
− Sim. O que quer?
− Vá até o riacho.
− Para quê?
− Vá até o riacho.
A voz ia se afastando, e por curiosidade eu fui até o riacho, mas não havia nada por lá. Mas decidi que podia esperar um pouco, por isso subi em uma arvore e esperei.
Nada.
Então algo ou alguém gritou em meu ouvido, me assustei e quase cai da arvore. Procurei por todos os lados e não vi nada. Estava quase amanhecendo quando voltei para a vila, mas novamente um clarão invadiu a floresta, os sinais de alerta soaram por toda parte e eu corri para a torre de vigia mais próxima.
− O que aconteceu? – eu perguntei.
− Não sabemos.
Olhei para todas as direções tentando identificar o causador daquele novo alarde e vi um pequeno ponto caindo além das montanhas.
− Vejam – gritei apontando para que os outros pudessem ver.
Estava longe demais e era impossível deduzir sua origem ou seu destino, mas o que quer que fosse estava longe de Redbow e por enquanto não era problema nosso.
Voltei para o centro da vila já procurando Beleg e estava quase determinada a ir até a cidade quando o avistei.
− Ei Beleg, estive lhe procurando.
Ele ainda parecia abalado com a morte de Wistol e foi com pesar que disse:
− Depois de tudo o que aconteceu aqui não posso simplesmente abandonar meus irmãos. Sinto muito Sophie, mas não posso ir com você enquanto não resolvermos todos esses problemas com os drows.
Eu já esperava por isso, imaginava que Beleg, leal da forma que era, não fosse abandonar seu lar em um momento de tanta necessidade.
Tinha medo do que poderia acontecer se continuasse na vila, mas estava disposta a enfrentar meus medos por ele, por isso lhe sorri e disse:
− Tudo bem Beleg, eu também ficarei o tempo que for necessário. Não irei abandoná-lo, não nesse momento.
Eu o abracei e sabia que não importava a distancia ou o tempo, ali nascera um sentimento que nem mesmo a morte poderia destruir.
Capítulo X
Um novo objetivo
Segui para o campo de treinamento e Forte já estava lá com outros elfos e parecia bem aborrecido, pelo visto Circe já havia partido e sem se despedir.
Aproximei-me e comecei a duelar com um dos que já estavam ali. Em meio ao combate me desconcentrei e feri meu companheiro, e o que vi depois me deixou furiosa e determinada. Forte veio em nossa direção como um cão raivoso.
− Se estivesse em um combate – vociferou ele – estaria morto. Você não está em condições de lutar, retire-se e vá cuidar deste ferimento.
Desculpei-me com o elfo ferido, afinal era minha culpa o machucado, ele apenas meneou a cabeça com um meio sorriso envergonhado e constrangido, mas era notável que a causa não foi o pequeno arranhão em seu peito, e sim a grosseria de Forte.
Forte postou-se a minha frente em posição de combate, fiquei meio amedrontada devido a sua fúria, mas decidi que no mínimo deveria tentar fazer justiça, só não sabia como. Felizmente era uma manhã em que os deuses me sorriam, pois tive muita sorte.
Eu o ataquei, mas ele livrou-se facilmente, isso só me deixou furiosa e continuei atacando ferozmente. Tentei tudo que havia aprendido com Beleg, desde fintar até evadir, mas ele, obviamente, era mais forte e habilidoso, mas como disse tive sorte e em um dos meus ataques ele se desequilibrou em um pequeno amontoado de grama e eu fiz um talho em seu peito, bastante insignificante, mas o suficiente para fazê-lo provar do próprio veneno.
− Se estivesse em um combate – falei ironicamente – estaria morto. Você não está em condições de lutar, retire-se e vá cuidar deste ferimento.
Ele deu um meio sorriso percebendo minhas intenções e disse:
− A ajuda do terreno é muito útil.
Senti que estava sendo desvalorizada por isso soltei um pouco mais de veneno.
− O inimigo irá aproveitar todas as vantagens possíveis.
Ele concordou e fez menção de sair, dando por concluída a minha lição, mas eu não estava satisfeita ainda, havia muito a ensinar aquele elfo orgulhoso. Por isso o interceptei atacando.
Forte livrou-se de todos os ataques com uma agilidade invejável e me acertou é claro. Fez menção de parar quando viu meu sangue escorrendo, mas eu apenas me sentia mais sedenta por luta e aquilo parecia enfurecê-lo, e essa era minha intenção, pois quanto mais exasperado ele ficasse mais iria descontar em mim, aliviando um pouco a tensão sobre os outros. Tentei desarmá-lo, mas perdi minha espada. Saquei a outra e investi novamente, a perdi também. Recuei e o contornei, como uma pantera a preparar o bote, ele apenas aguardou. Então tive uma ideia, iria fazê-lo derrubar aquela maldita espada usando meu chicote. Preparei-me e mirei as costas de sua mão, mas ele fez algo que eu não esperava; deixou que o chicote se enroscasse em seu antebraço e puxou, porém fui mais rápida e o soltei, em seguida corri para pegar uma das espadas que estavam no chão e Forte me atacou, estava disposto a por um fim naquela luta sem objetivo, e eu desviei e fintei e evadi, mas sua experiência em combate era superior a qualquer investida de uma iniciante como eu. Numa ultima tentativa tentei desarma-lo e por incrível que pareça, consegui. Mas isso não o deteve, pois avançou em minha direção e num aperto sufocante conseguiu me imobilizar, me deixando sem brechas para atacar, restou-me apenas recorrer à magia e me concentrei em uma que não falharia e que também nunca gostei. Era uma magia necromante chamada Visão Da Morte, que faz com que o atingido veja como será seu fim, algo cruel e em diversas vezes necessário.
Forte paralisou tão logo eu fiz a magia, liberando-me do seu aperto, em seguida ergui minha espada e toquei seu pescoço com a lâmina, fazendo-o voltar a si. Com um enorme sorriso de contentamento e vitória, eu disse:
− Parece que eu venci.
− É. Você venceu.
Não sei se ele estava cansado e resolveu se render ou se realmente tinha se dado por vencido. Sei apenas que havia extinguido um pouco da sua raiva e pretendia extinguir sua tristeza também, então aproveitando o momento de euforia, lhe exigi algo.
− Já que eu venci, acredito que mereço uma recompensa.
− Isto é apenas um treinamento, não uma competição.
− Mas eu derrotei o melhor guerreiro de Redbow, mereço algo.
Neste momento ouvi os outros elfos, que haviam parado de treinar para observar o decorrer da luta, em uníssono me apoiando. Diante daquele complô Forte não teve como fugi.
− Diga então o que quer?
− Quero sair com você.
Escutei um longo assobio vindo da pequena plateia.
− Como? – perguntou ele.
− Isso mesmo que ouviu. Quero sair com você.
Forte ficou aturdido, sem reação, sem palavras e sentindo a pressão do meu olhar incisivo aguardando a resposta. Então com um gesto rápido de cabeça ele concordou. Eu sorri e disse:
− Ótimo, nos vemos após o jantar.
Ele parecia ter recobrado os sentidos, pois voltou a gritar com os outros.
− Voltem ao treinamento seus preguiçosos.
Seu tom já não parecia tão furioso, ainda firme, mas não furioso. Tenha certeza que não fui a única a notar, pois vi muitos sorrisos estampados.
...
Caminhando sem rumo encontrei Arkeron, que andava de um lado para o outro, em frente a caverna do dragão.
− Ei Arkeron, o que faz aqui?
− Apenas observando – respondeu indiferente.
Percebi que ele ainda estava chateado comigo, por causa da conversa da noite anterior.
− Ainda irritado comigo?
− Só acho Sophie que o certo é enfrentar seus medos de frente ao invés de fugir.
− E se eu dissesse que não vou mais embora.
Ele virou-se para mim com um olhar penetrante e disse:
− Isso não muda o fato de que você é uma covarde.
Tentei contra argumentar, mas ele pediu que não o fizesse.
− Em todo caso, só ficarei porque há algo em Redbow que eu quero muito, mas não posso obtê-lo agora, então vou esperar.
Ele me encarou por um momento e depois desviou o olhar. Era um daqueles olhares que me dava a impressão de que ele lia meus pensamentos.
Enquanto conversávamos um centauro se aproximou e falou:
− Saudações amigos da floresta.
Eu acenei e Arkeron disse:
− Chefe? Algum problema?
− Receio que sim. Se puder me acompanhar eu lhes explicarei no caminho.
Durante o percurso ele nos contou que sua aldeia estava assustada e preocupada com o aparecimento de uma criatura alada e que ninguém sabia dizer o que era. Disse-nos também que a tal criatura estava nas montanhas próxima a um vilarejo protegido por Ratodragon e que já havia feito uma vitima.
− Arkeron, você acha que pode ser um dragão?
− Não sei.
− Podíamos ir perguntar aquele dragão que esta na floresta.
− É uma boa ideia.
Despedimo-nos do centauro e fomos primeiro relatar a Forte as noticias.
− Não acho prudente ir falar com aquela criatura, mas já que vocês decidiram não posso impedi-los.
− Não há porque se preocupar Forte, não foi Circe que disse que ele era nosso aliado? – falou Arkeron e saiu.
Percebi uma centelha de preocupação no olhar que Forte dirigia a mim, então com um sorriso falei:
− Prometo que voltarei inteira para nosso encontro.
Ele deu um leve sorriso, me encarou e sussurrou:
− Você tem lindos olhos, sabia?
E se foi.
...
Não sei o que foi mais difícil, adentrar a caverna, que era fria, apertada, sufocante, escura... ou a magnifica criatura que era o dragão.
Tive que recorrer a magia para iluminar o lugar, mas quando chegamos bem fundo na caverna o frio era tão intenso que o fogo que criei não resistiu e o grande dragão grande apareceu. Arkeron parecia tão amedrontado que pensei que voltaria correndo, mas segurei sua mão com força e ele se manteve firme.
− O QUE QUEREM AQUI? – a voz retumbou – POR QUE PERTUBAM MEU SONO?
− Perdão grande dragão branco, - eu falei – mas a dama desta floresta nos disse que poderíamos vir a sua presença quando conselhos fossem necessários.
− ENTÃO FALE PEQUENA CRIATURA.
− Estivemos com os centauros a pouco e eles parecem assustados com uma criatura que sobrevoa as montanhas próximas a uma vila de humanos. Pensei que poderia ser um dragão e vim a sua presença para confirmar se minha teoria está certa.
− UM DRAGÃO JAMAIS ADENTRA O TERRITÓRIO DE OUTRO DE SUA ESPÉCIE. SE FOSSE UM DRAGÃO EU SABERIA.
− Mas o que é então?
− EU NÃO SEI. MAS ALGUMA PERGUNTA?
Arkeron se aproximou e perguntou sobre seu conhecimento e idade, mas não prestei atenção, tentava captar cada detalhe daquela magnifica criatura e estremecia por dentro ao imaginar um ser de tais proporções sendo nosso inimigo.
− Senhor grande dragão branco – falei – como deveremos chama-lo caso seja necessário procura-lo novamente?
− TENHO MUITOS NOMES, MAS JÁ FUI CONHECIDO AQUI NESTA FLORESTA POR NÉVOA.
− Então agradecemos sua atenção poderoso Névoa.
E saímos o mais rápido possível de lá.
Procuramos Forte e relatamos a conversa com o dragão, mas ele se manteve imparcial, demonstrando pouca preocupação pelo caso. Mas percebi que parecia aliviado por Arkeron e eu estarmos sem um arranhão.
Forte também possuía um mistério, mas diferente de Arkeron, o seu não amedrontava, apenas atraia e parecia ainda mais difícil de revelar-se, talvez fosse devido ao fato dele ter amnésia. Tudo era um universo inexplorado. Um universo tentador.
Capítulo XI
Proposta
Durante o jantar conversava com Beleg sobre a escolha de Circe, em colocar Arkeron e Forte como responsáveis e ele me contou algo interessante.
− Eu ouvi dizer que Circe revelou a Forte um plano secreto para o caso da vila ser atacada, mas somente eles sabem – confidenciou.
− Posso tentar descobrir o que é.
− Você vai sair com ele não é mesmo?
Confirmei e disse:
− Que tal um trato? Eu conto lhe conto tudo o que descobrir e você me conta tudo o que descobrir também. O que acha?
− Trato feito.
Nós rimos e conversamos enquanto durou o jantar. Quando por fim acabou Forte se levantou e me olhou esperando.
− Hora de ir – disse sorrindo a Beleg.
− Boa sorte – ele me desejou.
Talvez eu fosse precisar mesmo.
...
Enquanto caminhávamos pela floresta.
− Aonde você deseja ir? – perguntou Forte sem animo.
− Para qualquer lugar. O que gostaria de fazer?
− Ouvir dizer que chegou um novo hidromel na cidade, gostaria de ir experimentar.
− Vamos então.
Caminhamos mais um pouco em um silêncio incomodo, até que resolvi cutucar cobra com vara curta.
− Sabe Forte, não é porque Circe partiu que você precisa ser tão rude com os outros.
− Do que está falando?
− Da forma grosseira que você trata todos. É visível que está bastante insatisfeito com a partida dela e com a escolha de Arkeron também, mas não precisa descontar sua raiva em ninguém.
Por um momento pensei que ele fosse me bater, estava furioso.
− Você não entende de nada, não sabe o que está falando. Não posso deixar que ações sentimentalistas interponham no treinamento deles, isso pode arruinar um guerreiro

