Conta-se que no inicio das primeiras coroas de ouro as forças místicas não tinham ainda abandonado completamente a terra e criaturas nefastas vagavam por ela, em busca de realizar os sonhos e ambições de seus Senhores Malditos, banidos pelos deuses e confinados a eterna escuridão de seus próprios pensamentos, o Mal (como assim era chamado) tinha tão imenso poder, que mesmo após ser derrotado, continuou vivendo em forma de medo em todos os de frágil coração, corrompendo e fazendo imergir das cinzas seus desejos malignos que eram sempre em forma de desespero e ódio, loucura e horror...
Em virtude dessas infâmias surgiram as guerras, que varriam o mundo deixando uma trilha de sangue e destruição por onde quer que passassem, cidades inteiras caíram e muitas vidas foram jogadas ao nada.
Em uma dessas cidades existia um jovem de aspecto peculiar, seu nome era Luke, tamanha era a luz de felicidade e esperança que brilhavam de seus olhos, que por onde passasse fazia aqueles que o escutavam se sentirem bem consigo mesmos, mesmo as maiores dificuldades que estivessem enfrentando, eram transformadas em coisas banais... E foi assim que ele se apresentou aquele mundo doentio e bizarro, com coração simples e um inigualável espírito que clamava por mudanças.Nada podiam fazer para impedi-lo de subjugar as autoridades, pois era jovem demais para ser enforcado ou muito menos acorrentado.
.As estórias de suas peraltices percorriam a cidade em formas de canções e tinham sido poucos quando foi ameaçado de morte pelos de alto renome, e temendo o pior resolveu calar sua voz e repreender seus atos para que não pagasse com a própria vida ou pior as vidas de seus entes mais próximos, embora conhecido por muitos apenas poucas pessoas ficavam em sua mente e menos ainda em seu coração, Pois sabia ele que em outros tempos seu espírito incendiaria novamente contra aqueles que oprimiam seu povo.
O tempo passava e cada vez mais a sombra do mal avançava sem cessar, agora com 14 anos adorava tudo o que lhe rodeara seus amigos eram suas maiores companhias e a eles tudo confiava , eram seu degrau, sua escada, seu apoio e o significado pra tudo o que acreditava, seus sonhos ,sua vida , era doce estar ali , existir se tornava não algo inusitado e sim o melhor dos dons que os deuses aviam lhe dado.Corria livre e alegre pelas colinas, embalado pelo ritmo dos dias e ansioso pelo que ainda viria,um dia era melhor que o outro. Mal sabia o que o destino lhe reservara...
Era uma manhã fria, a nevoa densa e tênue do alvorecer ainda pairava firme nas ruas, as lamparinas estavam ainda acesas nas esquinas quando Luke despertou de seu sono, tremulo e ofegante procurava no teto do quarto algo que pudesse distrair sua mente, mas era em vão. Sua mente só via quadro a quadro cenas do horrível pesadelo que foi palco do seu sono esta noite. Uma batalha...
Cabeças inertes emergidas em poças de sangue, espadas brilhando, trajes de batalha agora sem seus donos. Gritos inocentes suplicando piedade, aquilo que não era visto em quem os atacavam. As muralhas da cidade estavam arruinadas e muitas casas ardiam em chamas, pessoas corriam para todas as direções em desespero e dor, tudo em vão, por mais que procurassem não iriam encontrar, a salvação estava longe naquele momento. Em meio ao caos caminhou calmamente entre aqueles corpos mutilados, todas aquelas pessoas que fizeram parte de sua vida durante tanto tempo agora estavam ali ...mortas ...mortas! Como podia ser, como!?
Nesta manhã, a mente daquele pobre menino não teve paz, fez o que podia para esquecer tudo aquilo mas por mais que tentasse era inútil, vagava pela cidade com um olhar vazio e distante observando cada casa e cada rosto daquelas pessoas como se fosse a ultima vez que iria velos, felizes e despreocupadas vivendo suas vidas. Nunca tivera um sonho tão real como aquele, sabia que significava algo, sabia que algo iria acontecer. Sentado numa elevada colina a leste da cidade observava com admiração toda sua extensão, suas graciosas torres, as fortes muralhas que a circundavam como um anel e o Castelo a morada do rei,lar de lordes e cavaleiros, por um instante imaginou se tudo aquilo que vira no sonho fosse verdade, chorava cada vez que via aquelas imagens horríveis tomando forma em sua mente...
Como todas as feridas pouco a pouco suas alucinações cessaram, tão repentinamente quanto o sonho que as trouxeram. Durante esses dias seu estranho comportamento os pais não notaram, cuidavam intensamente de seus afazeres sem tempo algum para assistir os acontecimentos de seu filho, sempre fora assim desde o inicio de sua vida. Lembrava deles de um modo vago e distante, uma pintura cinzenta e disforme. Esquecera há tempos o que significava o abraço sincero de um pai.
Mas para o reino aquele foi um bom ano, as colheitas prosperaram, muitas alianças foram feitas entre os lordes, o inverno fora ameno e passara com um sopro frio de um gigante, nas noites serenas muitos se reuniam e entoavam belas canções líricas, animando assim os corações mais glaciais, relembrando antigos feitos de heróis e donzelas, quase sempre com um final feliz e motivador. “Era assim que eu os via... imaginar suas historias, cantá-las para os mais novos, tentar passar para eles o futuro que sonhava para mim naquelas velhas lendas.”“Não hà mais beleza do que ver algo que construíste no passado cheio de dificuldades dando frutos tenros no futuro” em apenas um ano aquela pequena cidade de camponeses se tornara um imenso centro comercial, viajantes iam e vinham de todas as partes atrás de suas especiarias, procurando morada ou simplesmente uma cama quente e acolhedora para escapar do frio da noite. Um ano prospero, uma pequena graça antes do fim.
Naquele inverno a tempestade os atingiu, não se sabe quem, ou o que, mas como um raio os inimigos surgiram no horizonte, cobrindo a luz do sol poente com seus estandartes
negros e olhos vermelhos de maldade. Pareciam bestas, sedentas por sangue, tamanha era a violência e rapidez que avançavam através das muralhas, feitas para resistir, arruinadas, jogadas ao chão, uma ultima esperança transformada em cinzas...Ninguém teve tempo de fugir, muitos tentavam se esconder, as labaredas lançadas de suas catapultas faziam as ruas parecer lagos de chamas. A batida das laminas em sanguinolencia fazia qualquer valente guerreiro tremer, pois a maldade embora sutil as vezes pode destruir até mesmo a coragem quando temerosa.
Torres ruíram em piscar de olhos, enquanto as casas eram arrancadas do chão pelas maquinas de guerra. Era o pesadelo, mas dessa vez, não em sua mente, e sim bem diante dos seus olhos... Inconscientemente havia ido no começo da tarde para um pequeno riacho, que seguia através de um bosque antes de banhar a cidade com suas águas cristalinas. Estava inseguro , uma voz o incitava a persegui-la, parecia loucura, mas tinha curiosidade em saber o que era..., guiando-o entre as arvores clamando com o vento. Misteriosa e soturna. No trajeto curioso, Luke indagava:-Quem é que me chama? Você é uma fada que me encanta? Ou um fantasma a me assustar? Eu não tenho medo, Eu sou corajoso! E continuava seguindo a voz.
Ao chegar as margens do riacho, percebera finalmente que fora enganado: Não havia ninguém ali. Confuso, sentara aos pés de uma robusta arvore, refletindo e observando as nuvens naquele imenso céu azul.Um cavaleiro em um belo corcel... uma pomba a voar... um rosto disforme e misterioso...apenas o que sua imaginação queria ver...
A noite se aproximava, e já estava pensando em retornar quando aos primeiros passos mais uma vez aquela misteriosa doce voz clamara seu nome:
– Luke...para onde pensas que vai?
– Ora, é tarde... e não costumo ficar fora das muralhas a noite. Mas te segui até aqui, e estou disposto a te escutar, se tiveres algo a me dizer alem de seus sussurros ao vento...
–Não tenho muito a te dizer pequeno Luke, ainda... apenas aquilo para que fosse destinado. Tuas visões são teu destino... Não sois dono de tua vida... Ninguém é. Todos com suas ínfimas ações servem a um propósito maior... A fina linha entre o bem e o mal.O amor e o ódio podem escolher o caminho, dele temos conhecimento e o seu fim já sabemos. Piedoso tu és, sofrimento terás presente desde o berço... Preso por aqueles que o sentido consigo aguçar, deles tu não és o único, porem vi um manja negra que esta crescendo em teu destino e um dia único tu serás. Esse é o preço de enxergar a verdade: A cegueira total.
-Você quer dizer que não são apenas sonhos?... Isso tudo é mentira! Acontecem coisas estranhas no mundo de hoje, mas tudo o que você fala é absurdo demais!
Não acredito nas suas palavras. Você é uma bruxa que esta tentando me enfeitiçar! Dito isso correu o mais rápido que pode através das arvores. Estava um pouco assustado com tudo,e não olhou para traz em nenhum momento. Mas ainda escutou a estranha clamando no vento:
-Enquanto pensares assim... Ainda estarás a salvo.
Tudo parecia estranho e aquelas palavras não lhe saiam da mente. Corria a passos largos, mas o bosque escuro parecia leva-lo sempre ao mesmo corredor de arvores.”... Não sois dono de tua vida...” Quando finalmente atingiu uma certa distancia do riacho pode ainda temeroso, olhar para traz e se orientar do trajeto que estava seguindo. “... Tuas visões são teu destino...“ Viu o riacho ao longe onde misteriosamente uma luz cinzenta e opaca se formara a suas margens. Aguçou um pouco a vista e viu entre as arvores que a luz emanava de uma silhueta, pairando um pouco acima das águas. Ficou tão deslumbrado com tal visão que se esquecera de ver o caminho que seguia, e violentamente bateu num arvore que estava no caminho, caindo em seguida como uma pedra no chão inconciente. “O preço de enxergar a verdade: A cegueira TOTAL...”
Ao fim dessas confusas palavras nosso jovem caiu em um profundo sono e assim sumiu aquela voz misteriosa, Luke não sabia, mas as mãos da Deusa haviam tocado sua carne mortal, empurrado-o para um destino, o exílio e a solidão resultados do sentimento de tristeza pela fria batalha entre aqueles superiores a nos...
sexta-feira, 16 de abril de 2010
0A lenda do Unico ( Lukian The One )
Postado por Anjo Cadaver às 06:28
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