quinta-feira, 8 de abril de 2010

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MINHA PRINCESA DAS TREVAS



Contemplo sua beleza angelical
Nossas mãos se unem
Caminhando juntos na escuridão lunar
Seus abraços abraçam minha alma com calor consolador
Seus lábios são delírios de sonhos lindos e distantes
A colisão de nossas almas
O eclipse de nossos corações
Despertam um romance triunfal
Que significa nada mais que ilusão
Vejo tua face se escurecer na tentação
Caindo no medo e na confusão
Pegue minha mão e saia desse abismo de dúvidas
Levarei-te para meu castelo de delícias
E provarás de meus doces amores
Minha mão é golpeada, desprezada
Então ela se levanta em minha direção
Um último beijo, um golpe fatal
Lábios venenosos transbordam malícia
Língua cortante como espada
O veneno percorre minhas veias
Sucumbindo perante tamanha traição
Minha alma se desfalece
Meu corpo vira cinzas, pó
Cadavérico e doente
Eu caio de joelhos de frente dela
Sangrando, chorando, vomitando
Ela pega minha mão
Olha nos meus olhos
Olhares que penetram o fundo da alma
E me abraça, um último abraço
Não me abandones
Sinto teu calor intenso como fogo
Tocar meu corpo com brutal suavidade
Então ela saca uma adaga de sua bela saia, sua bela cintura
E perfura meu corpo, rasga meu coração, abre minhas costas
Ela se afasta lentamente
Com meu sangue sujando suas mãos de donzela
Com minha alma partida em fragmentos pequenos
E meu coração rasgado e dilacerado
Sangrando até a morte
Eu caio lentamente, agonizando
Relembrando as lembranças de uma breve fantasia romântica
Agonizando, as últimas dores, os últimos suspiros
E com um sorriso frio ela se afasta, de costas
Caído e sangrando eu me arrasto no chão
Tentando agarrar seu calcanhar
Mas ela pisa em minha mão
Num último ato de desprezo e brutalidade
Vejo ela caminhando direto para o abismo
Eu vi sua face que antes era tão bela
Se sujar na lama dos vícios insanos
O que era tão belo se perdeu
Ventos sopram apenas angústia
Vejo ela se afastar para o abismo da perdição
Meus olhos se enfraquecem, se escurecendo
A morte caminha em minha direção
Se aproximando lentamente para roubar meu espírito
E leva-lo de volta ao lugar onde eu nunca deveria ter saído
A morte despejará minha alma longe do desespero
Mas antes eu olho os céus pela última vez
Com o desejo de contemplar a beleza noturna
Vejo as nuvens encobrindo a lua tão bela
Me arrasto no chão, sangrando e agonizando
Minha amada à beira do abismo flamejante
A se jogar para sempre na escuridão de fogo
Eu levanto minha mão em um ato nobre de desespero
Minhas palavras soam agonizantes em um último sacrifício
Meus gemidos, minha agonização, meu desespero, morrendo
Minha princesa de beleza angelical
Não manches tua linda face com a feiúra do pecado
Eu morrerei te perdoando
Tua face é bela, teu corpo é encantador
Mas belo e encantador é ainda mais teu coração
Mas no momento essa beleza está sendo ocultada
Olhe aos céus e veja a lua tão linda
Sendo ocultada por nuvens tão intensas
Da mesma forma teu coração tão maravilhoso
É ocultado por atitudes tão degradantes
Adeus, minha amada
Uma lágrima solitária parece cair de seu rosto
Quando a morte me toca e eu dou meu último suspiro
Não sei se ela vai para Hades ou Elísios
Não posso ver o final
O meu final foi drágico, isso eu vi
Mas a última coisa que vi em vida
Não foi a face dela soltanto uma tímida lágrima
Foram as nuvens se afastando
E mostrando toda a beleza do luar
Traído, assassinado
Salve-se, minha amada, minha traidora
Minha princesa das trevas, minha princesa das trevas
Fiques longe do abismo e dá-me um digno funeral
Eu não sofro apenas por te perder,
Mas sofro também por ver você se perder

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